Good Save de Queen: as novas referências da cultura inglesa

Confira quem são os herdeiros de Shakespeare, Beatles e Hitchcock

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Conheça o que a Inglaterra exporta e mostra além do futebol
Montagem
Conheça o que a Inglaterra exporta e mostra além do futebol

A Inglaterra pode ter apenas um título no futebol, mas, na cultura, ela tem campeões em todas as áreas. Dando sequência à nossa série domingueira, confira quem são os herdeiros de Shakespeare, Beatles e Hitchcock.

Se o cinema norte-americano definiu os padrões comerciais e o potencial financeiro da cultura pop no século XX, os ingleses foram os maiores representantes de seu poder de influenciar costumes. E nesse quesito, nada supera a música do país.

Dos Beatles aos Stones, passando pelos Sex Pistols na década de 70, o New Order nos anos 1980, e o britpop nos 90, as letras e acordes criados por jovens rebeldes e deslocados na Inglaterra inventaram toda uma geração – um jeito de vestir, de pensar e até de amar.

Em 2014, porém, as guitarras estão um pouco mais baixas. “Já houve momentos mais gloriosos. Nos últimos dois anos, eles foram superados pelos EUA”, é a avaliação da cena musical inglesa atual feita por Lucio Ribeiro, editor do site Popload e curador do Festival da Cultura Inglesa. E para ele, o diagnóstico não é um demérito do país, mas uma constatação a respeito do principal gênero que definiu sua música. “A impressão hoje é que o rock seja um ciclo que se encontra fechado. Ou alguém inventa alguma coisa que ninguém sabe o que é, como o Radiohead e a cabeça alienígena do Thom Yorke, ou vai simplesmente regurgitar coisas passadas”, pontifica.

O resultado é que nem dentre as bandinhas saídas de Shoreditch – atual reduto indie e celeiro criativo em Londres – parece haver algo sendo produzido que fuja do derivativo de Beatles ou Stones. “Tem o Temples, por exemplo, que estão revisitando a psicodelia dos anos 1970”, cita Ribeiro. Outro grupo que ele destaca é o Alt-J, quarteto de Leeds que quebra a estrutura e o ritmo tradicional imortalizados por McCartney, Richards & cia. “A bateria entra depois do esperado, o vocal é um instrumento à parte, meio esquisito. Mas são músicas simples e um pop nada rebuscado, só que eles fazem diferente dos outros”, analisa.

Segundo o crítico, o que existe de mais interessante musicalmente na Inglaterra hoje é produzido por artistas que estão “fazendo uma mistura de tudo”. Um dos principais ingredientes desse caldeirão é a música eletrônica, que nasceu no país. “Se você for num festivalzinho pequeno lá hoje, vai ver uma molecada unindo dub step com hip hop e guitarras”, conta. Para Ribeiro, um dos principais representantes dessa vertente é o duo Disclosure, que tocou no Lollapalooza deste ano. “Quando eles foram para as lojas com disco novo no ano passado, venderam mais que o Daft Punk e o David Bowie. Som novo? Não. Eles estão simplesmente revivendo uma dance music inglesa de FM do início da década de 90 que desapareceu”, explica.

Se, no conjunto, o retrato pode não parecer dos mais animadores, o crítico adverte que não vê o cenário atual em tons negativos. “Esses meninos todos que eu citei têm 17, 18 anos. Ainda vão sair na primeira turnê e conhecer um mundo de sonoridades”, lembra. Não quer dizer que as coisas vão ficar do jeito que estão. “Na Inglaterra, sempre que tem um mesmismo, pro bem ou pro mal, surge uma quebra de paradigma boa, nova, diferente”, prenuncia.

Conheça as novas referências da música

Disclosure

Os irmãos Guy e Howard Lawrence, nascidos em Surrey, começaram a carreira fazendo uploads de músicas no MySpace. A boa recepção levou os dois por uma série de gravadoras indies. O sucesso veio com remixes de Emeli Sandé e Jess Mills, e nas parcerias com AlunaGeorge e Eliza Doolittle nos hits “White Noise” e “You & Me”.

Alt-J

O quarteto assinou contrato com a Infectious Records em 2011 e despontou com os singles “Matilda” e “Fitzpleasure” de seu único álbum, “An Awesome Wave”. O nome da banda vem do comando que gera um triângulo no Mac.

The XX

O pop eletrônico e atmosférico do trio, marcado por silêncios dramáticos, é apontado como uma das inovações mais interessantes surgidas na música inglesa recente. No Brasil, o grupo ficou conhecido na trilha de “Amores Roubados”.

Temples

O pop neopsicodélico do quarteto é descrito como uma mistura de The Move, Byrds e Beatles. O primeiro single, “Shelter Song”, foi lançado em 2012, mas o álbum de estreia, “Sun Structures”, só saiu no início deste ano.

Confira as referências no cinema

Andrea Arnold

Principal herdeira do realismo social inglês, Arnold ganhou o Oscar de melhor curta em 2005 por “Wasp”. Mas foi com “Marcas da Vida” e “Aquário”, ambos vencedores do prêmio do júri em Cannes, que ela se afirmou como uma das grandes autoras do atual cinema inglês.

Gareth Edwards

Aclamado pela crítica com seu primeiro longa, “Monstros”, o especialista em efeitos visuais foi contratado para o novo remake de “Godzilla”, que foi um sucesso de bilheteria. Isso e comparações da imprensa como o “novo Spielberg” fazem dele um dos nomes mais quentes em Hollywood no momento.

Jack O’Connell

Destaque da série inglesa “Skins”, o jovem ator hipnotizou críticos com sua atuação no longa “Starred Up”, inédito no Brasil. A repercussão lhe rendeu o papel principal em “Unbroken”, novo filme dirigido por Angelina Jolie e considerado uma das principais apostas para o próximo Oscar.

Ben Wheatley

O diretor é uma das grandes apostas a serem em breve cooptadas por Hollywood. Em longas como “Kill List” e “Turistas” (não o que você está pensando), Wheatley associa a ousadia do cinema indie a produções de gênero. Seu próximo filme será protagonizado pelo astro Tom Hiddleston.

Andrew Haigh

Seu segundo longa, o romance gay “Weekend”, entrou na lista de melhores do ano de vários críticos em 2011 e venceu 17 prêmios. O sucesso lhe rendeu a série “Looking”, que estreou na HBO em janeiro. Seu próximo filme, “45 Years”, será estrelado pela diva Charlotte Rampling.

As referências literárias

Sunjeev Sahota

Apesar de ter lido um romance pela primeira vez aos 18 anos, a paixão pela literatura do descendente indiano foi imediata. Com seu primeiro livro, “Ours are the Streets”, lançado em 2011, Sun-jeev foi eleito um dos autores britânicos mais promissores pelo “The Observer” e pela “Granta”.

Evie Wyld

Com apenas 34 anos e dois romances, Wyld entrou na lista dos “20 melhores autores britânicos com menos de 40 anos” do jornal “The Daily Telegraph”. Seus livros, “After the Fire, a Still Small Voice” e “All the Birds, Singing” foram indicados a uma série de prêmios, mas ainda não foram lançados no Brasil.

Steven Hall

Hall já escreveu uma série de peças e um jogo de videogame, mas apenas um romance. Ainda assim, “Cabeça Tubarão”, já disponível em português, colocou o autor na lista de nomes promissores da revista “Granta” e venceu os prêmios Somerset Maughan e Borders Original Voices. Hall veio ao Brasil em 2013.

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