Transplante de face é considerado sucesso

MMédico norte-americano revisou dados de 28 operações e publicou conclusão

iG Minas Gerais |

undefined

Quando o primeiro transplante de rosto do mundo foi realizado na França, em 2005, ele expandiu as fronteiras médicas e ganhou as manchetes. Porém, o próprio futuro do procedimento estava em dúvida. Operando uma francesa de 38 anos cujo rosto fora estraçalhado pelo labrador de estimação, os cirurgiões tiveram de superar a oposição de sociedades médicas de prestígio, que declararam o procedimento antiético e imoral. Críticos, entre eles os cirurgiões que perderam a competição para realizar o primeiro transplante facial, afirmaram que a equipe pioneira não seguiu diretrizes éticas e legais.

Porém, a primeira análise abrangente de todos os transplantes faciais relatados desde então – 28 em sete países, contando o caso francês, mas sem levar em consideração dois realizados na Turquia desde que a revisão foi completada – removeu muitas das primeiras dúvidas. Publicado online em abril pela “The Lancet”, o relatório afirma que, em geral, o procedimento é seguro e viável, devendo ser oferecido a mais pacientes.

A aprovação é cautelosa: os pesquisadores observam que a operação ainda é experimental, arriscada e cara (custa ao menos US$ 300 mil), e que os pacientes devem ser cuidadosamente selecionados. Depois do transplante, quem recebeu a doação corre o risco de infecção e de reações às tóxicas drogas contra a rejeição.

Entretanto, o estudo acrescenta que no caso de muitas pessoas – vítimas de síndromes genéticas, tiros, mordidas de animais, queimaduras e outros acidentes –, os transplantes melhoram ou resolvem as deformações grotescas que as deixam sujeitas a escárnio, discriminação, isolamento e depressão.

Os transplantes faciais transformaram as vidas de quase todos os sobreviventes que a eles se submeteram. Os pacientes recuperaram a capacidade de comer, beber, falar de forma mais inteligível, cheirar, sorrir e piscar; muitos emergiram do ostracismo e da depressão. Quatro voltaram a trabalhar ou estudar. Três transplantados morreram.

A ideia de um indivíduo usar o rosto de outro inicialmente atemorizou os críticos, mas, ao contrário de tais temores, nenhum transplantado lembra fisicamente o estranho que o doou.

O novo rosto “é uma mistura muito singular do doador e do transplantado, e não é possível reconhecer o doador caminhando na rua”, afirmou o principal autor da análise, Eduardo D. Rodriguez, do Centro Médico Langone, da Universidade de Nova York. Rodriguez disse ter assumido a tarefa para ajudar a melhorar o resultado em casos futuros e para determinar quantos transplantes faciais precisavam ser feitos para convencer as seguradoras a pagar por eles.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave