Inquietude profissional

Ator ressalta que aceitou convite para protagonizar a trama porque nunca havia trabalhado com Denise Saraceni

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Dicas. Pouco antenado com o universo tecnológico, Murilo conta que teve ajuda do seu filho para compor seu papel
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Dicas. Pouco antenado com o universo tecnológico, Murilo conta que teve ajuda do seu filho para compor seu papel

Reinventar-se a cada novo trabalho é a grande pretensão de Murilo Benício. Em respeito a isso, nada melhor do que dar vida a um sujeito tecnológico e extravagante como Jonas Marra, protagonista de “Geração Brasil”, para enterrar o denso e tradicionalista Jaime de “Amores Roubados”, minissérie exibida em janeiro. “Achei que seria um contraponto interessante. O desenho de trama e estético dos personagens é muito distinto. É isso que busco na minha carreira”, justifica. Natural de Niterói, no Rio de Janeiro, Murilo teve seu primeiro contato com a TV através de um papel pequeno em “Fera Ferida”, de 1993. A estreia chamou a atenção da direção da Globo e outros personagens foram surgindo, sempre em uma crescente. Até que, por fim, o ator se tornou galã de novelas como “Meu Bem Querer”, “O Clone” e “Chocolate com Pimenta”, entre outras. “Fui muito feliz fazendo mocinhos, mas nenhum ator vive só disso”, analisa, com cara de quem sabe que, depois de tantos trabalhos, já carrega certa autonomia para escolher os projetos que quer fazer dentro da emissora. “Toda vez que começam a me enquadrar em algum tipo específico, tento fugir. Acho que tenho tido sorte”, conta. Sua volta às novelas estava prevista apenas para 2015. O que o atraiu para estar em “Geração Brasil”? A força do projeto e o fato de estar na Globo há 21 anos e nunca ter trabalhado com a Denise Saraceni. Quando a gente marcava de conversar sobre algum personagem, surgia outro projeto e me levava. Ser dirigido por ela é algo que faltava para mim e “Geração Brasil” apareceu no momento certo. Que momento é esse? Eu vim de dois personagens mais próximos do drama. O Tufão de “Avenida Brasil” era um boa praça enganado pela vida. O Jaime de “Amores Roubados” era um cara pragmático e torpe. O Jonas, de alguma forma, recoloca minha carreira em um clima mais leve. Ele é um sujeito totalmente diferente de tudo o que já fiz. O figurino e a caracterização nem são tão complexos, mas ele é um personagem para fora, totalmente ególatra e excêntrico. É um dos papéis mais difíceis da minha carreira. Por quê? Eu sou muito tímido. Soa até meio contraditório escolher a profissão de ator e ser tímido. Mas é difícil para mim ser tão expansivo como ele. Dançar em público, então, é complicado (risos). Jonas cuida e vive sua persona pública sem pausas estratégicas. Além disso, tem a questão da tecnologia. Eu não sei muita coisa sobre o universo que serve de pano de fundo para “Geração Brasil”. Mas tive um bom consultor: meu filho (Antônio, de 17 anos). Ele me explicou a história de empresas como Apple e Microsoft, me deu dicas de gadgets e aplicativos. Um parte da história é ambientada em São Francisco, na Califórnia, cidade onde você morou antes de se tornar um ator conhecido. Como foi esse reencontro com a região? Foi uma experiência bem diferente. Eu fui para os Estados Unidos no fim dos anos 1980 em busca de uma vida nova, naquela ânsia do sonho americano, na terra das oportunidades. Mas não deu muito certo. Eu já tinha voltado a São Francisco outras vezes e não tinha passado por perto da casa onde morei. Dessa vez, fiz questão de ir e levar meu filho lá. Eu alugava um dos quartos da casa e trabalhei em uma série de coisas por lá. Amadureci muito na época. O que você ainda guarda daquele jovem de 25 anos atrás? A força de vontade para o trabalho. Ninguém me vê nas baladas, não dou muita chance para ser capa de revista, a fama não me motiva. Mas quando o assunto é atuar, me considero um ator empenhado. Lavei muito chão e entreguei muita pizza nos Estados Unidos. Na volta ao Brasil, depois de passar por todas essas experiências, cheguei muito mais focado, estudei e busquei oportunidades como ator. Aí, aconteceu “Fera Ferida”, “Irmãos Coragem”, “Por Amor”, personagens importantes e que foram sedimentando a minha carreira.

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