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Com formato batido na TV, “Segunda Dama”, nova série da Globo, se apoia na onipresença de Heloísa Périssé

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Audiência. Apesar dos clichês, produção tem conquistado uma boa média de audiência nas quintas
Globo
Audiência. Apesar dos clichês, produção tem conquistado uma boa média de audiência nas quintas

Reinventar-se faz parte do trabalho teledramatúrgico. Apresentar a mesma história, com um contexto mudado, já torna a trama diferente de sua original. O problema é quando o tipo de enredo é contado à exaustão – a produção vira uma espécie de mais do mesmo. É exatamente o que acontece com “Segunda Dama”. Talvez seja o maior clichê da TV narrar sobre irmãos gêmeos com personalidades opostas. A série protagonizada por Heloísa Périssé é exatamente isso.

A atriz ocupa o cargo de protagonista e interpreta as irmãs Marali e Analu. Com classes sociais distintas – a primeira vende sacolé no Piscinão de Ramos, no subúrbio do Rio de Janeiro, e a segunda é uma mulher rica –, Heloísa parece à vontade nas personagens. Mas a trama não convence. Apostando em confusões por conta da troca de lugares entre as irmãs, a série acaba parecendo um blockbuster da “Sessão da Tarde”, como nos filmes interpretados pelas atrizes gêmeas norte-americanas Mary Kate e Ashley Olsen. Com o jogo da troca entregue de cara, o mistério permanece em torno do motivo que fez com que elas deixassem de se falar.

Com uma história fraca, “Segunda Dama” se baseia na performance cômica de Heloísa Périssé. Embora Marali se pareça muito com a Monalisa, papel interpretado pela atriz em “Avenida Brasil”, Heloísa consegue ser razoável na pele das irmãs e achar um fio condutor para não aproximá-las e nem distanciá-las demais. A dobradinha com Elizângela Vergueiro, que interpreta Edneia, rende bons momentos à dupla. Dan Stulbach como Paulo Hélio, marido transtornado de Analu, parece ser descartável nas cenas com a atriz.

Apesar do tema batido, a trama escrita por Heloísa, Paula Amaral e Izabel Muniz, com supervisão de João Emanuel Carneiro, não fez feio perante o público. Com média de 18 pontos no Ibope, a série desbancou os 12 marcados por sua antecessora, “Doce de Mãe”, evidenciando que qualidade nem sempre é sinônimo de bons índices de audiência.

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