General tailandês se proclama novo primeiro-ministro do país

Ex-premiê Yingluck Shinawatra e outros 155 políticos foram detidos e não podem sair do país

iG Minas Gerais | Flávia Denise |

Manifestante pró-governo abraça soldado durante operação
Wason Wanichakorn
Manifestante pró-governo abraça soldado durante operação

“Eu estou triste, bravo e deprimido, mas, de certa forma, esse golpe era meio ‘previsível’. Em algum momento, nós ficamos acostumados com isso. Esse país se especializou em fazer com que sua própria população se acostume a algo nojento.” A declaração, que é de Kritdikorn Wongswangpanich, tailandês morador de Ubon (cerca de 600 km da capital, Bangcoc), representa bem o sentimento de muitos dos jovens da Tailândia.

Com uma história recheada de golpes de Estado – sendo que, curiosamente, nenhum deles retirou o rei Bhumibol Adulyadej ou seus antecessores do poder –, a Tailândia viveu anteontem o seu 12º golpe de Estado bem-sucedido nos últimos 82 anos. Com o apoio do Exército, o general Prayuth Chon-O-cha anunciou na terça-feira que estava decretando lei marcial para “obrigar o governo e a oposição a conversar e para manter a segurança”. Ele ainda disse que a medida não era uma tentativa de tomar o poder.

Dois dias depois, o esperado golpe aconteceu. Em um discurso televisionado – o Exército tomou o controle de todas as redes de televisão do país, abertas e pagas –, ele anunciou que o país entrava em uma ditadura militar para “manter a segurança” e instaurou um toque de recolher, que vai das 22h às 5h. Deixando claro que o Estado democrático havia acabado, a Constituição foi suspensa – mas o Senado foi mantido. Ontem, ele declarou que é o novo premiê do país.

Opinião do povo. Para quem fica sabendo das notícias no país, a situação é desesperadora, mas para muitos tailandeses, o Exército tomar o poder é motivo de comemoração. “Muitos dos cidadãos estão apoiando essa ação. Há soldados em toda esquina, e os tailandeses estão fazendo selfies (fotos com celular) com eles”, conta EiDrovanov Pradubmook, que mora na capital do país.

Apesar disso, foram registrados ontem os primeiros sinais de rebeldia contra. Pequenos grupos reuniram-se em Bangcoc e na cidade de Chiang Mai, no norte, com cartazes de críticas aos militares. Centenas de pessoas se concentraram na principal área comercial da capital e enfrentaram uma fila de soldados fortemente armados, mas foram dispersados. Pelo menos dois manifestantes foram presos.

Políticos são detidos. A junta militar da Tailândia deteve 155 políticos e ativistas e os proibiu de deixar o país. O grupo inclui membros da família Shinawatra, entre eles a própria ex-premiê Yingluck Shinawatra, que foi forçada a se demitir há duas semanas por abuso de poder.

Prayuth convocou uma série de altos dirigentes anti e pró-governo para negociações e para explicar a decisão dos militares, entre eles o ex-primeiro-ministro interino Niwatthamrong Boonsongpaisan e o ex-ministro do Trabalho Chalerm Yubamrung, destituídos após o golpe. Outra reunião estava prevista com o rei Bhumibol Adulyadej. “Se a situação for pacífica, estamos prontos para devolver o poder ao povo”, disse. (Com agências)

EUA reagem

Dinheiro. Os EUA suspenderam US$ 3,5 milhões em ajuda militar à Tailândia ontem, numa reação ao golpe. O valor representa um terço do total da ajuda norte-americana ao país.

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