‘Sempre quis ter muitos bens’

Com patrimônio que chega à casa dos bilhões, Newton Cardoso não disputará mais eleições

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Por cima. Newton Júnior tentará herdar os votos do pai para se eleger deputado federal em outubro
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Por cima. Newton Júnior tentará herdar os votos do pai para se eleger deputado federal em outubro

Um dos políticos mais polêmicos e dos mais antigos ainda em atividade em Minas irá se aposentar neste ano. Ao encerrar o mandato de deputado federal, Newton Cardoso (PMDB) não irá disputar nenhum outro cargo. Mas ele garante que não sairá de cena. “Vou continuar indo a Brasília. Tenho muitos amigos e trânsito livre lá”.

A linhagem dos Cardoso, no entanto, pode perpetuar na política. Newtão, como é conhecido, fará campanha para que o filho, Newton Cardoso Júnior (PMDB), o substitua na Câmara Federal. Hoje, o deputado vai dar uma festa de aniversário – ele completou 76 anos na última quinta-feira. O evento é também uma apresentação do filho as dezenas de prefeitos, deputados e demais convidados vips.

A festa também terá a presença do pré-candidato do PT ao governo do Estado, Fernando Pimentel. Tido como um rebelde no partido, Newtão estreitou, neste ano, a ligação com o PT e até intermediou encontro de Pimentel com o presidente nacional do PMDB, Michel Temer.

A partir do ano que vem, o deputado irá se dedicar aos seus negócios. E não são poucos: pelo menos 12 empresas e uma fortuna declarada que chega à casa dos bilhões de reais.

Na última segunda-feira, Newton Cardoso recebeu O TEMPO para uma entrevista exclusiva em seu escritório, que fica em um prédio de 12 andares de propriedade do empresário, no bairro Buritis, na região Oeste da capital. Cada piso abriga uma empresa. Newton fez críticas à classe política e ao próprio partido, que diz ter virado uma “mixórdia”. “Tem muita gente corrupta ainda”.

Ele confessa que já não sente a mesma atração pela capital federal. “Brasília virou um monte de gente querendo aparecer na televisão”. Envolvido em diversas polêmicas, alvo de vários processos que vão desde improbidade administrativa, passando por crime ambiental e lavagem de dinheiro, ele diz que não se arrepende de nada e que, “se tivesse qualquer errinho, estava preso”.

Riqueza. Em pouco mais de uma hora, Newton Cardoso contou como começou a construir seu patrimônio. Aos 14 anos, começou a trabalhar em Brumado, na Bahia, sua cidade natal. Com 17, foi trabalhar na Magnesita, empresa que compraria mais tarde. Aos 20, era um dos poucos a ter um carro, aliás, dois, em Belo Horizonte.

“Desde muito jovem eu era rico. Sempre pensei que queria ter muitos bens”. Diante de tão rápida ascensão, a mãe estranhou. “Ela me procurou para saber como eu estava tão rico, me perguntou o que eu estava fazendo de errado. Disse a ela que era só trabalho, que nem nunca tinha visto cocaína na vida”, contou rindo.

Refinado. O escritório mostra um lado pouco conhecido de Newton Cardoso, que contraria a imagem de homem bronco. Com gosto refinado, coleciona canetas – são quase 400, a maioria de ouro ou com algum outro predicado valioso. A coleção fica junto com outra: taças e pinhas de cristal, compradas por ele em diversos lugares do mundo. Newton Cardoso comenta a briga judicial com a ex-mulher, Maria Lúcia Cardoso (PMDB), que pede metade de seus bens. (Leia entrevista ao lado)

Carreira política

Origem. Nasceu em 1938, na cidade de Brumado, na Bahia. Filho de um “homem pobre, mas bom”, e de “uma mulher rica, empresária da mineração e dona de cartórios”.

Prefeito. Foi prefeito de Contagem, região metropolitana, três vezes: entre 1973 e 1977, de 1983 a 1986 e de 1997 a 1998.

Deputado federal: De 1979 a 1983, de 1995 a 1996 e de 2011 a 2015.

Governador: Durante o mandato (1987-1991), tomou medidas impopulares como demitir 100 mil servidores para enxugar as contas. Investiu principalmente em estradas e saneamento.

Vice-governador: Foi vice de Itamar Franco no mandato de 1999 a 2002. Durante o período, se desentendeu com Itamar.

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