Sem acordo com o PSDB, PSB deve ter candidatura em Minas

Eduardo Campos e Aécio Neves têm dificuldades para manter pacto de não agressão no Estado

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda e Raquel Gondim |


O desempenho de Aécio Neves nas pesquisas força o PSB a mudar
Jane de Araujo
O desempenho de Aécio Neves nas pesquisas força o PSB a mudar

O fim do pacto de não agressão entre PSB e PSDB em Minas, confirmado anteontem pelo presidenciável Eduardo Campos (PSB), sinaliza a nova estratégia dos socialistas para ganhar palanque e tentar tirar votos no Estado do senador e também pré-candidato à Presidência, Aécio Neves (PSDB). Na análise de tucanos, a confirmação de que o PSB lançará um nome para a disputa pelo Palácio Tiradentes é uma cartada de Campos para crescer nas pesquisas de intenção de voto e chegar ao segundo turno junto com a presidente Dilma Rousseff.

O crescimento da oposição a ritmo mais acelerado do que o de Dilma, conforme revelado nas últimas pesquisas, deixou claro para tucanos e socialistas que não será possível caminhar juntos em Estados estratégicos como Minas Gerais e Pernambuco. Para chegar ao segundo turno, será necessário para Campos e Aécio não apenas ganhar novos eleitores, como também conquistar votos que seriam do adversário.

De acordo com o deputado federal Paulo Abi-Ackel (PSDB), o pacto de não agressão e apoio mútuo entre tucanos e socialistas eram uma realidade até as pesquisas indicarem um crescimento maior de Aécio em relação a Campos e Dilma. Levantamento divulgado pelo Ibope, na última quinta-feira, mostra que enquanto a petista ganhou três pontos percentuais e Campos, cinco, Aécio cresceu seis pontos percentuais.

“É natural que o PSB tenha mudado de estratégia diante do crescimento de Aécio. Pelo que tenho visto, Campos quer mesmo um palanque em Minas, mas, terá que viabilizar um nome para conseguir ter um candidato aqui”, afirmou.

Dentro do PSB mineiro, dois nomes são cotados para assumir uma candidatura ao governo do Estado. De um lado, e com o apoio de Campos, está o presidente do partido, Júlio Delgado, e do outro o ambientalista Apolo Heringer.

Nos bastidores, os tucanos acreditam, porém, que o único nome viável para puxar votos para Campos seria o de Delgado, mas, questionam se ele se “sacrificaria” pelo partido. “Caso ele não aceite, o PSB não terá outra alternativa senão ir conosco”, disse um tucano, se referindo ao fato de Delgado precisar abrir mão de um projeto de reeleição na Câmara dos Deputados.

Para o presidente do PSDB em Minas, Marcus Pestana, o descumprimento do acordo por Campos não muda as negociações. “Nossa parceria tem 12 anos. Vamos continuar conversando, e ainda acreditamos na aliança com o PSB. Temos o apoio do prefeito Marcio Lacerda, principal nome do partido em Minas”.

O que disseram

“O pacto de não agressão é com todos os partidos. Sempre fiz política assim. Temos aliança com o PSDB em vários locais, mas não há pacto (de acordo mútuo).”

“Há uma divisão no PSB de Minas. Mas a tendência mais forte, e que está crescendo, é a de lançar a candidatura do deputado Júlio Delgado.”

Eduardo Campos

“Ainda não vamos pensar na hipótese de termos uma terceira via em Minas. Vamos continuar tentando ter o PSB como aliado.”

Marcus Pestana

“É uma mudança de estratégia decorrente da evidência de que Aécio é favorito na disputa presidencial. É natural que ocorra.”

Paulo Abi-Ackel

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