Simplesmente imperdível!

iG Minas Gerais |

Todo mundo que gosta de futebol estará ligado hoje na final da Liga dos Campeões, entre Real Madrid e Atlético de Madrid, um clássico da capital espanhola, que carrega mais de cem anos de muita rivalidade. O torneio interclubes mais importante do mundo será decidido por duas agremiações da mesma cidade pela primeira vez na história, o que dá ao jogo um ingrediente a mais. A maioria das pessoas vai torcer pelo Atlético de Madrid e por um motivo muito simples: o mais “fraco” sempre desperta a compaixão da galera. Mais ou menos como aconteceu na final do Brasileiro de 1996, quando Portuguesa e Grêmio decidiram o título, com a equipe gaúcha levando a melhor, a poucos minutos do fim. Quem não torcia para o tricolor queria ver a Lusa campeã nacional pela primeira vez, como acontece com o Atlético agora, pois a equipe nunca venceu uma Liga dos Campeões. Claro que não dá para comparar a Portuguesa com o clube de Madri. O Atlético tem muita tradição e uma torcida enorme, apaixonada pelo clube, que voltou ao topo do futebol espanhol e também europeu, pois, além da final de hoje, venceu o campeonato nacional, deixando para trás os gigantes Barcelona e o próprio Real Madrid. Por isso, acho essa inferioridade do Atlético meio relativa, embora seja inegável que o time de estrelas do Real é o favorito para conquistar seu décimo título da Liga, aumentando ainda mais a galeria de troféus do maior campeão da competição. Agora, se por um lado a torcida pelo Atlético é maior pelas razões que já ressaltei, há um fator que me faz não conseguir desejar que o primo pobre de Madri triunfe hoje: o técnico argentino Diego Simeone. Talvez os mais jovens não se lembrem de Simeone como jogador, mas eu lembro bem, até pelo fato de termos a mesma idade. Volante marcador, bem ao estilo argentino, ou seja, confundia raça, garra e vontade de vencer com deslealdade. Batia muito e não se preocupava com a integridade física dos companheiros de profissão. Entrava pra quebrar e queria ganhar na porrada. Não dá para torcer por um cara desses, embora eu admita que está fazendo um grande trabalho. Do outro lado tem o Cristiano Ronaldo, simplesmente sensacional! Muita gente não gosta do português, que joga em casa, pois a final é em Lisboa. Dizem que é mascarado, vaidoso em demasia, mas e daí? Ele joga muito e está numa fase espetacular. Sempre torço por um craque, palavra que tem sido muito mal empregada nos últimos anos. Mas o cara é craque mesmo. E é da Ilha da Madeira, lugar pelo qual tenho uma ligação afetiva grande por questões familiares. Alguns poucos vão torcer contra o Atlético de Madrid por causa do Diego Costa, que acho que nem jogará, pois não arriscaria ficar fora da Copa do Mundo. Se machucou no sábado passado, na “decisão” do Espanhol, e pode piorar a contusão se for ao campo, mesmo com todo o esforço durante esta semana para se recuperar. O brasileiro naturalizado espanhol abriu mão da seleção brasileira para ir ao Mundial pela Espanha, país que deu tudo o que ele tem, segundo o próprio jogador, que é goleador mesmo, embora não seja nenhum craque. Olha a palavra aí de novo. Os patriotas acharam um absurdo a decisão do atacante, inclusive Felipão, talvez já contando com a instabilidade física de Fred e a falta de um reserva, no mínimo, razoável. Pra mim, nada demais! O cara joga onde ele quiser e ninguém tem nada com isso. A vida é dele. Até porque ser patriota no Brasil nos últimos tempos está difícil. Rivalidade extrema. Qual não foi minha surpresa ao ouvir de alguns cruzeirenses que vão torcer pelo Real pelo fato de jamais, em tempo algum, cogitarem querer ver qualquer Atlético vencer. Acho essa posição bastante discutível. Fico imaginando se esses cruzeirenses estivessem assistindo a uma rodada final de Brasileiro e o Cruzeiro dependesse de uma vitória do Atlético-PR, ou mesmo do Galo, para ser campeão.

Espetáculo é o que vale. Independentemente de por quem você vai torcer, o que importa mesmo é poder apreciar um jogaço. O ápice do futebol europeu, de longe o melhor do mundo, pois reúne os principais jogadores do planeta. Claro que, do ponto de vista emocional e histórico, uma final de Copa do Mundo é o jogo mais importante da Terra, mas uma decisão de Liga dos Campeões é o ponto alto da organização e do futebol que dá certo. 

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