Eles terão o dia dos sonhos

iG Minas Gerais | Thiago Nogueira |

Pé-quente, Rérison Snayder estará ao lado de craques novamente no Mundial
LEO FONTES / O TEMPO
Pé-quente, Rérison Snayder estará ao lado de craques novamente no Mundial

Não haverá nada mais inesquecível para uma criança nesta Copa do Mundo do que a oportunidade de entrar em campo de mãos dadas com os melhores jogadores de futebol do planeta. Os privilegiados já foram escolhidos e não veem a hora de o grande momento chegar. “Estou doido para a Copa começar. Nunca vou esquecer. Contei para os meus colegas, e está todo mundo com inveja”, brinca Vinícius Barros, 9, selecionado para o jogo da semifinal em Belo Horizonte.

O concurso Sonho de Craque, do McDonald’s – um dos patrocinadores da competição –, recebeu mais de 12 mil inscrições. Foram selecionados 1.128 mascotes. A promoção era aparentemente simples. Bastava um pouco de criatividade e originalidade para responder à pergunta: “Como você comemora um gol?”. A resposta deveria ser dada por foto ou por vídeo.

As crianças escolhidas têm idade entre 6 e 10 anos e moram nas 12 sedes da competição, onde participarão da experiência nas respectivas partidas marcadas para cada cidade. A exceção é o jogo de abertura, que tem crianças selecionadas de todo o Brasil.

Como são 22 jogadores em campo, são 22 garotos para cada uma das 64 partidas da competição. Do total, há 280 vagas que serão preenchidas por filhos de funcionários do McDonald’s ou por crianças selecionadas por ações de relacionamento da marca.

Em Belo Horizonte, são 119 meninos ou meninas – estudantes de escolas públicas, particulares e das mais diferentes classes sociais. Para saber quais crianças iriam em determinado jogo, foi adotado o critério alfabético.

Na Copa das Confederações, muitos garotos já tiveram o gostinho de estar ao lado de uma grande referência internacional. Batizado com nome parecido com o do craque holandês Sneijder, Rérison Snayder Ferreira, 10, foi mascote do jogo semifinal entre Brasil e Uruguai, no Mineirão. Logo em sua primeira ida ao estádio, ele já entrou em campo com o volante Luiz Gustavo. Naquela oportunidade, ele foi um dos vencedores de um concurso de desenho – também do McDonald’s – realizado em escolas públicas da capital.

“Adoro desenhar. Se eu não for jogador de futebol, quero estudar para ser desenhista”, deseja Rérison. Expert no quesito concurso, ele também ganhou a promoção deste ano e está escalado para o jogo semifinal. “Se for o Brasil, quero entrar com o Neymar. Se não der, torço por Portugal para poder entrar com o Cristiano Ronaldo”, expressa o garoto, que guarda com carinho o uniforme usado no ano passado.

Emily Julie Costa, 9, é mais uma sortuda que participou da Copa das Confederações e estará no Mundial neste ano. “Estou muito feliz. Ano passado, eu entrei com um jogador do Japão. Até outro dia, eu lembrava o nome dele, agora, esqueci”, pondera a garota, convocada para a partida entre Bélgica e Argélia.

De carona. Além da chance de pisar em um gramado de Copa, as crianças ainda assistirão ao jogo acompanhadas pelos responsáveis, que também ganharam ingressos. Enquanto muita gente tenta, sem sucesso, adquirir uma entrada para o Mundial, os pais vão levar um presentão, assim como o filho. “Muito bom, não imaginava nunca ganhar um ingresso para a Copa. É um sonho das crianças, mas também dos adultos”, ressalta Miguel Nogueira, pai de Vinícius, outro escolhido. Os setores dos premiados têm ingressos que variam entre R$ 270, para as partidas de primeira fase, e R$ 660, no jogo de abertura, ou R$ 880, na semifinal. Gandulas. Os atletas das equipes masculina e feminina vencedores das etapas regionais da Copa Coca-Cola de 2013 ganharam o direito de ser gandulas na Copa 2014. Em março, eles participaram de um treinamento. Os garotos não podem conversar com os jogadores, carregar equipamentos eletrônicos, esboçar reação ou interagir com o público. Também não se pode brincar com a bola ou entrar em campo. O gandula deve se manter distante das placas de publicidade. No Mineirão, serão 15 gandulas, com idades entre 13 e 15 anos, trabalhando nos seis jogos. O Ministério Público do Trabalho é contra a participação de menores na função. Porém, no ano passado, Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma resolução autorizando o trabalho de crianças e adolescentes no torneio, mediante autorização dos pais.  Voluntários. Outra turma que estará em pleno trabalho durante a Copa do Mundo são os voluntários. Serão 18 mil em todo o Brasil – 1.500 em cada cidade-sede. Uma parte do programa é gerida pelo Comitê Organizador Local (COL) e pela Fifa e vai atender a áreas como estádios, Centros de Treinamento de Seleções (CTSs) e Campos Oficiais de Treinamento (COTs). A outra parte do programa é de responsabilidade do Ministério do Esporte e das sedes – o Brasil Voluntário –, focada no atendimento aos turistas e ao público em geral, em locais como as Fan Fests, os aeroportos e os pontos turísticos. Os voluntários estão em fase de treinamento. Mais de 22 mil pessoas fizeram inscrição, e a seleção levará em consideração a assiduidade nos cursos e o grau de capacidade técnica e de interesse dos candidatos.  Vigilantes. Novidades nos estádios de padrão Fifa, os vigilantes ou stewards têm, ao mesmo tempo, a função das funções de seguranças e de orientadores do público. São aqueles profissionais vestidos de laranja e amarelo. Durante a Copa, serão 25 mil homens nas 12 cidades-sede. O efetivo por jogo pode variar de 700 a 1.200 pessoas. Eles são orientados a conter pequenos tumultos, recolher cartazes de cunho político, social ou racista. Sua função é manter o ambiente familiar, “onde o torcedor seja tratado como um cliente”, segundo descreve a Fifa. Os stewards são profissionais remunerados. O valor que eles vão receber por partida está sendo negociado por sindicatos e empresas contratadas pela organizadora do Mundial. Os valores variam entre R$ 12 e R$ 20 por hora ou valores diários entre R$ 120 e R$ 200.

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