Lobo bão demais

iG Minas Gerais | Paulo Navarro com Sabrina Santos |

“Música, dança, teatro têm grande poder de transformação. Deveriam ser matérias curriculares”
Marina Gravatá/divulgação
“Música, dança, teatro têm grande poder de transformação. Deveriam ser matérias curriculares”

O DJ Maurinho Lobo deveria ganhar, no mínimo, uma estátua ou homenagem pela Gentileza Urbana, literal, em divulgar nos bares, praças e ruas de Belo Horizonte a melhor música brasileira, de e em todos os tempos, dando a merecida preferência aos clássicos do samba e seus mestres. Toca, rapaz!

 

De onde veio tanto bom gosto para a tão boa música que você divulga?

Venho de uma família com grande interesse pela boa música. Meu pai foi presidente de escola de samba em Timóteo (MG). Ao sair do interior para morar em BH, trabalhei no Sambatório Geral, um bar da década de 90 de grande representatividade, e fui artista circense na escola Spasso. Ao montar meus espetáculos, iniciei um trabalho de pesquisa musical e fui aprofundando o interesse pela pesquisa, e assim ampliando a gama e o acervo musical.

 

Quais teus compositores brasileiros favoritos?

Pixinguinha e sua obra maravilhosa, Vinicius de Morais, Zé Keti e Monsueto, João Bosco, Paulinho da Viola, Cartola, Baden Powell, Chico Buarque, Marcus Valle, Noel Rosa, Adoniran, Luiz Gonzaga, Antônio Carlos e Jocafi, Ismael Silva, Geraldo Pereira, Bôscoli, Elizeth Cardoso, Elis Regina, Alaide Costa, Dorival Caymmi, entre muitos outros.

 

Qual é teu palco, quem é teu público?

Meu palco sempre será aquele aberto à boa música, seja ele intimista, onde as pessoas estão dedicadas a ouvir, ou grandes palcos, para grandes multidões, onde encaro o desafio de fazer o público dançar com música de qualidade. Meu público ideal é aquele cujas pessoas têm sensibilidade, ouvidos apurados ou que estejam abertas ao conhecimento.

 

Você concorda que a MPB é a melhor música do mundo?

Sim, por ser a música mais presente em meu trabalho e porque grandes compositores brasileiros conseguiram tal reconhecimento mundialmente. Mas não posso deixar de citar grandes nomes do jazz e do rock mundial que admiro muito.

 

Você acha que a boa MPB é bem divulgada ou está muito aquém disso?

Hoje a boa música perdeu completamente o espaço para o funk carioca e o sertanejo. Suas composições citam a balada, o sexo e o dinheiro, em lugar da poesia e harmonia existentes na boa música. Infelizmente, a divulgação da MPB não acontece por falta de espaço e respaldo do público.

 

O que acha da programação das rádios e do que é divulgado na TV?

As poucas estações existentes em BH, como a Inconfidência, Guarani e Alvorada, ainda divulgam nomes do passado e do presente da MPB, mas a grande maioria das estações divulgam as batidas, o sexo e a ostentação, que são abre-alas do show business. Pior ainda na TV, pois divulga apenas o que dá ibope, que hoje em dia são “hits parade”. A música de hoje não é feita para eternidade como “Garota de Ipanema”, “Alvorada”, “Águas de Março”, “Berimbau”, entre outras grandes composições e intérpretes. São músicas descartáveis, onde o artista tem, no máximo, um ou dois anos de explosão popular e financeira.

 

Falta educação musical em nossas escolas?

Pessoalmente, já entreguei diversos projetos de música a prefeituras do estado e sempre me fecharam a porta. Acho que a música, a dança, teatro, circo têm grande poder de transformação e educação e deveriam ser matérias curriculares do ensino básico e fundamental. Estamos longe da boa educação artística.

 

Onde é possível ouvir Maurinho Lobo em Belo Horizonte?

Todas as quintas, na Galeria Arte e Gastronomia, com o projeto Quinta do Vinil, na Praça da Savassi; no Café com Letras, também na Savassi, e no Jângal, no Cruzeiro.

 

Qual seria a trilha sonora do Brasil neste 2014?

“Opinião”, de Zé Keti e Monsueto: “Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião. Daqui do morro eu não saio não. Se não tem água, eu furo um poço, senão tem carne, eu compro osso e ponho na sopa e deixo andar, deixo andar...”.

 

Qual tua canção e teu verso da MPB favoritos?

“Quatorze anos”, de Paulinho da viola. “Tinha eu quatorze anos de idade, quando meu pai me falou: perguntou-me se eu queria estudar filosofia, medicina ou engenharia, tinha eu que ser doutor. Mas a minha inspiração era ter um violão para me tornar sambista, ele então me aconselhou sambista não tem valor nesta terra de doutor, e, seu doutor, o meu pai tinha razão...”.

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