Manuscrito revelador vem à luz

Desabafo de 45 páginas mostra sentimentos da escritora sobre sua tumultuada vida amorosa

iG Minas Gerais |

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Se soubesse que o casamento consistia em um acto tão impudico quanto violento e repugnante, não me teria casado”, diz um dos trechos de um manuscrito (foto), cuja existência era desconhecida, de Anna Emília Ribeiro de Assis, que aos 14 anos, recém-saída da escola, se casou com Euclydes da Cunha, dez anos mais velho.

Anna de Assis foi o pivô de um dos casos mais rumorosos do início do século XX. Casou-se com Euclydes (1866-1909), autor do épico “Os Sertões”, e depois separou-se para viver com o cadete Dilermando de Assis, 13 anos mais novo. Euclydes confrontou o rival. Foi morto. Sete anos depois, tentando vingar a morte do pai, um dos filhos de Euclydes e Anna, Euclydes da Cunha Filho, também foi morto por Dilermando.

Anna de Assis abre seu relato de 45 páginas afirmando “cumprir com um sagrado dever e dar desencargo à minha consciência dizendo que de nós três: Euclydes, Dilermando e eu, três criminosos, o mais responsável sou eu”. No relato, ela diz que, durante quatro anos, Euclydes soube de seu relacionamento com Dilermando, e que, por três vezes, ela tinha saído de casa para viver com o cadete, voltando sob ameaças do escritor, que não lhe concedia o divórcio.

“Isso é uma novidade, pois acreditávamos que ele tinha sido morto ao surpreender meus avós juntos”, diz a terapeuta Anna Sharp, 73, neta de Anna e Dilermando. “Ainda estou em choque. É o único manuscrito existente da minha vó”, disse.

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