Hibridismo marca obra de estreia de Ewerton Ribeiro

Sucinto, “A Grande Marcha” questiona postura individual de participantes de manifestações

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Autor criou narrativa em que cruza amor e manifestações de rua
Lucas Braga
Autor criou narrativa em que cruza amor e manifestações de rua

O acadêmico Franz, protagonista do livro “A Grande Marcha”, de Ewerton Martins Ribeiro, que será lançado hoje, na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, é um homem fragmentado que é deixado por sua namorada. É por meio dele que o jovem escritor externa seu desejo de discutir o posicionamento adotado por milhares de participantes das marchas que tomaram conta do Brasil em 2013.

Ao mesmo tempo, o livro de pouco mais de 90 páginas é também um passeio filosófico. Para englobar tudo isso em sua primeira obra publicada, Ribeiro uniu o gênero ensaio ao romance literário. No âmbito ensaísta, há colagens e reapropriações de “A Insustentável Leveza do Ser”, do checo Milan Kundera. “Ele usou vários conceitos para fazer suas colocações, mas peguei só a concepção dele em relação ao ‘kitsch’. Também usei a conceituação de outros autores, como Abraham Moles sobre o tema”, comenta o escritor.

Popularizado em torno de 1860 por artistas e colecionadores da Alemanha, o termo kitsch é usado para designar objetos de mau gosto e produtos presentes no dia a dia: como souvenirs e adornos. Porém, é na etimologia da palavra que fica clara a relação com “A Grande Marcha”. “Kitsch é uma resultante de outras duas palavras alemãs cujo significado é “vender um objeto diferente do que o combinado”, diz.

“É como uma moldura de madeira pintada de dourado, pintada para parecer ouro e, assim, aparentar um valor maior, mas que é forjado. Assim vejo algumas pessoas de nossa sociedade que, principalmente nas manifestações, se travestiram de forma caricatural para se inserirem naquele coletivo. O kistch ‘tromba’ com essa ideia”, compara.

Um exemplo desse tipo de indivíduo, de acordo com observações do autor, é aquele que antes de junho não suportava conversar sobre os problemas sociais ou a política do Brasil, mas com as insurreições “esse cara não resistiu à tentação de vestir dourado”, afirma.

Paralelamente, acompanhamos Franz e suas descobertas subjetivas que são influenciadas por seus relacionamentos amorosos, enredo que dialoga com a premissa do livro. “Falar de amor foi a melhor maneira de metaforizar o momento, ao estabelecer um ligação da paixão com a coisa pública. Em ambos os casos ficamos à mercê do equívoco, do acaso e da confusão dos sentidos de percepção: podemos estar vivendo um coisa quando, na verdade, estamos vivendo outra”, diz.

Agenda O quê. Lançamento do livro “A Grande Marcha”

Quando. sábado (24), 10h

Onde. Biblioteca Pública Infantil e Juvenil (rua Carangola, 288, Santo Antônio)

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