Peugeot 3008 quer mais atenção

Crossover francês ganha visual atualizado e tem relativo sucesso em unir o melhor de vários segmentos

iG Minas Gerais | Alexandre Carneiro |

Mudanças visuais foram maiores na frente do modelo, com destaque para novas grade e faróis
Peugeot/Divulgação
Mudanças visuais foram maiores na frente do modelo, com destaque para novas grade e faróis

A expressão crossover define veículos que mesclam características de dois ou mais segmentos distintos. Contudo, alguns fabricantes, por razões de marketing, generalizam esses automóveis e os inserem em uma categoria específica. Não é o caso da Peugeot com o 3008: em vez de defini-lo como um SUV, como fazem algumas das concorrentes, a marca francesa faz questão de frisar que o modelo é um crossover, que mistura traços de SUV, minivan e hatch.

Para concorrer com mais eficiência com SUVs e crossovers de marcas concorrentes, o 3008 ganhou um tapa no visual para a linha 2015. As mudanças, bastante discretas, concentram-se no para-choque frontal, na tomada de ar e no conjunto óptico: os faróis, com novo contorno, receberam luzes diurnas de LEDs, ao passo que as lanternas, também com LEDs, exibem novo arranjo interno. As rodas, que permanecem com aro 17, têm novo design e acabamento diamantado. As mudanças foram tão pontuais que nem alteraram as dimensões externas no veículo.

No interior há apenas luzes coloridas no head-up display, que projeta o velocímetro no para-brisas, permitindo que o motorista visualize a velocidade sem tirar os olhos da pista. No mais, permanece o bom acabamento, com painel emborrachado e apliques de alumínio, além do teto de vidro com persiana elétrica.

O motor 1.6 THP não teve qualquer alteração, mas continua exibindo boa dose de tecnologia, com turbocompressor, injeção direta e comando de válvulas variável. o resultado é uma potência máxima de 165 cv a 6.000 rpm e 24,5 kgfm de torque entre 1.400 e 4.000 rpm.

Versão única

O Peugeot 3008 é vendido no Brasil apenas na versão top Griffe. O pacote de equipamentos de segurança é destaque: inclui seis airbags, controles eletrônicos de tração e estabilidade e ganchos Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, além de freios ABS. Dentre os equipamentos de conforto, há ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura e saídas para os passageiros do banco de trás, freio de mão eletrônico com acionamento automático, bancos revestidos parcialmente em couro, controlador de velocidade e sistema de som com entrada USB, leitor MP3 e conexões Bluetooth e Streaming. O preço é de R$99.990. Segundo a Peugeot, o 3008 concorre com Chevrolet Captiva, Hyundai ix35, Kia Sportage, Honda CR-V, Mitsubishi ASX e Fiat Freemont.

Impressões

Lembra-se do papo sobre unir características de carros de diferentes segmentos? Então, a Peugeot afirma que o 3008 une o espaço de uma minivan, a robustez de um SUV e a dirigibilidade de um hatch. Ao volante do modelo, ficou claro que, apesar de tentar conciliar todas essas características, ele tem limitações.

Provavelmente, é o primeiro quesito – o espaço de minivan – que o modelo cumpre com mais competência. O interior é bastante espaçoso para quatro ocupantes, e mesmo com cinco adultos a bordo ainda haverá relativo conforto. Ademais, há 11 porta-objetos espalhados pelo habitáculo, que somados, atingem 40 l de capacidade. Já o porta-malas, com 432 l, é apenas razoável, mas conta com uma inteligente divisória móvel, que pode ser colocada em três posições diferentes e ajuda a aproveitar todo o volume do compartimento.

Já a robustez de um SUV é oferecida com ressalvas. O 3008 tem posição de dirigir elevada, que proporciona aquela sensação de domínio da estrada, típica de utilitários-esportivos. A altura em relação ao solo também é generosa, e permite encarar estradas malconservadas sem esbarrões contra o solo. Porém, as semelhanças do modelo com um legítimo utilitário param por aí. A tração é apenas na dianteira, e não há sequer um sistema de bloqueio de diferencial, tampouco tração nas quatro rodas. Assim, não espere encarar aventuras radicais a bordo do crossover da Peugeot. Ele se sai bem em um percurso de terra batida, mas não vai além disso.

Por fim, o comportamento do 3008, por mais que seja bom para um veículo de altura elevada, não pode ser comparado ao de um hatch. Ele faz curvas com muita desenvoltura para a sua categoria, mas é claro que o centro de gravidade mais alto provoca inclinações da carroceria em desvios de trajetória rápidos. Por sua vez, o peso elevado de 1480 kg torna as reações ao acelerador mais lentas que a de outros modelos equipados com o mesmo propulsor, como por exemplo, as versões top dos irmãos 308 e 408. Ele anda bem e ganha velocidade com facilidade, mas não espere fôlego de esportivo.

O jornalista viajou a convite da Peugeot

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