Policiais militares fazem nova manifestação em frente à ALMG

Após a morte de um soldado, militares foram às ruas no último dia 18 e, nesta sexta, estão na porta da Assembleia Legislativa, onde acontece uma audiência pública

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Policiais se manifestam em frente à assembleia
Oswaldo Ramos/Divulgação
Policiais se manifestam em frente à assembleia

Cerca de 400 militares, entre policiais militares e bombeiros, estão protestando na área externa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na tarde desta sexta-feira (23), quando acontece uma Audiência Pública que reunirá entidades representantes dos policiais militares e alguns deputados para tratar sobre as propostas manifestadas pela categoria após a morte do soldado André Luiz Neves, morto durante um assalto no último dia 16, no bairro Ouro Preto, na região Noroeste de BH.

A reunião, que atende ao requerimento do deputado Sargento Rodrigues (PDT), estava prevista para ter início por volta das 13h45. Entretanto, ela só começou efetivamente às 15h30, conforme a ALMG. Desde às 14h um grande número de militares, bombeiros e até policiais civis que não estão em serviço se aglomeram na área externa do prédio. 

Com gritos de ordem, faixas, e todos com roupas e fitas pretas nos braços, simbolizando o luto, os policiais fazem uma série de reivindicações. Uma das principais queixas é com relação à impunidade, sendo que os manifestantes pedem que autores de crimes violentos reincidentes não fiquem na rua, para evitar tragédias como a ocorrida. Além disso, os militares também querem o aumento da prisão preventiva e o resgate da autoridade policial, já que, segundo eles, a classe não é mais tratada como autoridade. A categoria também pede melhores condições de trabalho. 

Além de todas estas propostas, os policiais também pedem a alteração no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para que os menores respondam como adultos. Entre os gritos de ordem, os policiais também reclamam dos Direitos Humanos que, segundo a classe, serviria apenas para defender bandidos. 

Para o deputado sargento Rodrigues, a reunião pretende canalizar as sugestões listadas pelos militares, visando criar propostas factíveis e concretas. Além disso, para o parlamentar a audiência pública será uma forma de cobrar ações do Governo de Minas, do Ministério Público e também do Tribunal de Justiça. 

Os familiares do policial morto também estão presentes. Uma missa estava prevista para começar às 17h, no Hall das Bandeiras, também na área externa da ALMG.

Assassinos poderão ser soltos

Em diálogo com o delegado Rodrigo Bossi, responsável pela investigação da morte do policial, os dois criminosos detidos, Wilson Guimarães Filho, de 25 anos, e de José Henrique da Silva Bento, de 30, foram indiciado nesta sexta. "Também fiz a representação da prisão preventiva deles. Se não for acatada, na segunda-feira (26) eles poderão estar na rua novamente", garante o policial. 

Nesta quinta-feira (22), um homem de 51 anos foi até a delegacia e apontou os dois suspeitos da morte do militar como autores de um sequestro relâmpago sofrido no dia 30 de abril, na avenida Antônio Carlos. Em depoimento, ele reconheceu a dupla como autores do crime e contou detalhes da ação. Um terceiro homem, que também teria participado do sequestro, não foi reconhecido pela vítima.

Durante quatro horas, o homem, que tem cegueira parcial, teria sido mantido como refém, sob a mira de um revólver e foi submetido a tortura física e psicológica, recebendo socos e chutes pelo corpo. Com a violência dos golpes, a vítima chegou a ter três dentes quebrados.

Além de ter seu carro, um Citroën C4, e a quantia de R$ 1.000 que trazia nos bolsos roubados, a vítima ainda foi obrigada a acompanhar os suspeitos até duas agências bancárias, onde teve valores sacados de suas contas. Não satisfeitos, os suspeitos ainda tentaram efetuar compras com o seu cartão. A sessão de violência só teria chegado ao fim quando a vítima foi lançada do carro, próximo ao Hospital Risoleta Neves, após simular que estava passando mal. O carro foi encontrado pela polícia, posteriormente, com perda total.

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