Segue o som de Vanessa

iG Minas Gerais | Priscila Brito |

Cantora lança quinto álbum de inéditas, em show que mescla hits, rap de Emicida e Jovelina Pérola Negra
Marcos Hermes/Divulgação
Cantora lança quinto álbum de inéditas, em show que mescla hits, rap de Emicida e Jovelina Pérola Negra
Vanessa da Mata, 38, está retornando de uma folga de si mesma. É assim que ela define o período em que deixou de ser autora para ser exclusivamente intérprete no projeto “Nivea Viva Tom Jobim”, no qual, ao longo do ano passado, se debruçou sobre a obra do Maestro Soberano. Impactado por esse afastamento de sua faceta criativa, o quinto disco de estúdio da cantora e compositora, “Segue o Som”, que será lançado na cidade em show neste sábado (24), no Palácio das Artes, surge como o trabalho mais maduro, garante.   Vanessa entrou em estúdio ainda em 2012 para gravar o disco. O convite para o show em homenagem a Tom obrigou a interrupção dos trabalhos e adiou o lançamento. Finalizado o projeto, ela se voltou novamente para o disco, com um novo olhar. “Esse intervalo foi muito interessante para minha carreira como autora. Foi um aprendizado, um fôlego e também um alívio, um descansar de mim mesma. Isso foi fundamental porque, quando voltei para o estúdio, analisei o disco e vi que tinha coisas mais interessantes para incluir. Tirei cinco músicas e substituí por seis. É um disco mais maduro na maneira de fazer música e de abordar os assuntos”, avalia a cantora, que abre o álbum exaltando as mulheres (“Toda Humanidade Veio de Uma Mulher”) e faz críticas ao consumismo (“Homem Invisível no Mundo Invisível”).   Em um passo inédito na carreira, Vanessa apresenta pela primeiravez uma composição em inglês: “My Grandmother Told Me”, canção que evoca o clima de um cabaré dos anos 1930 para falar dos efeitos devastadores da paixão. “Um dia acordei com esse ‘tchu biru biru’ na cabeça e achei engraçado, uma coisa tão clichê, e resolvi brincar dentro da língua inglesa com essa situação do romance. Não me vejo um dia fazendo um disco inteiro em inglês, mas acho uma possibilidade a ser explorada”, afirma.   Ao vivo, ela também está fazendo coisa diferente. No show em que assina direção, cenário e figurino, Vanessa diz estar variando mais nos tons na hora de soltar a voz. “‘Homem Preto’ é um tom lá em baixo. ‘Ninguém é Igual a Ninguém’ é um tom lá na lua”, compara.   No show, Vanessa agrega ao repertório autoral de “Segue o Som” alguns de seus principais hits (“Ai, Ai Ai”, “Amado” e “Não Me Deixe Só”) e une as pontas de duas gerações da música brasileira. Da velha guarda, ela canta “No Mesmo Manto”, samba de Beto Correa e Lúcio Curvello gravado por Jovelina Pérola Negra (1944- 1998). “A Jovelina tem uma maneira de cantar samba só dela, tem um agudo absurdo, uma potência vocal. Ouvi uns sambas dessa época e fiquei arrebatada com essa gravação. Também fazia um tempo que eu não via ninguém trazer a Jovelina de volta pro mercado. É só um começo e espero que mais gente faça isso”, deseja.   Da nova geração, Emicida presenteia Vanessa com um “rap bem brasileiro, com melodia e harmonia” que abre o show, com o rapper em gravação à maneira de um mestre de cerimônias.   Hits   Também há uma dobradinha de “Segue o Som”, música de trabalho que carrega a responsabilidade de dar sequência aos hits emplacados por Vanessa até hoje, apesar de não haver uma pressão pessoal a esse respeito. Ela, que diz já ter errado “pra caramba” na hora de apostar em uma música para levar para as rádios (nem desconfiava do potencial de “Não Me Deixe Só”, por exemplo), confessa que nunca imaginou que fosse ser uma cantora de hits. “A gravadora dizia que eu era uma cantora cool e chique, que eu não seria popular, e eu ficava com raiva porque eu queria ser popular. Artista quer tocar em todos os lugares. ‘Ai Ai Ai’ foi a música mais tocada em 2006, e ‘Boa Sorte’, em 2008. Ser a mais tocada tendo esse apelido de chique, num país com tantos ritmos populares, foi uma surpresa enorme. É uma alegria viver isso”, comemora a cantora e agora também escritora, que já prepara o sucessor de seu primeiro romance, “A Filha das Flores”. “Estou no primeiro capítulo ainda. Não posso e nem sei dizer sobre o que é a história. Tudo pode acontecer”.   Vanessa da Mata Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537, centro, 3236-7400). Neste sábado (24), às 21h. R$ 200 (inteira, plateia 1), R$ 180 (inteira, plateia 2), R$ 150 (inteira, plateia superior)

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