Bate debate 23/05/2014

iG Minas Gerais |

Audaciosos 

Wagner Dias Ferreira Advogado 

Entre os dias 30 de abril e 20 de julho, a humanidade relembra acontecimentos trágicos na história e também ocorrências promissoras no tocante à grandeza do espírito humano. Foi nesse período que ocorreu a segunda Guerra Mundial, provavelmente o evento histórico que mais causa vergonha à humanidade, face ao genocídio judeu e à explosão das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando milhares de civis.

Do mesmo conflito, há o Dia D, com o desembarque das tropas aliadas em praias francesas iniciando a libertação do território europeu do terror nazista, e a Batalha de Leningrado, na qual as forças soviéticas cessaram o recuo e passaram a ofensiva contra as forças nazistas. Com o estabelecimento dessas duas frentes de batalha na Europa, foi iniciada a libertação de judeus, eliminação de campos de concentração, a morte de Hitler e o fim da Segunda Guerra, porém, sequelas ainda são vistas, 70 anos depois.   </CW>Também neste período do ano relembramos a primeira vez que o homem pisou em solo lunar. “Um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade”– frase atribuída a Neil Armstrong. O evento suscita o pensamento sobre a grandeza do espírito humano e faz pensar de forma altruísta.    Diante dessa duplicidade humana, o cidadão pode reportar-se ao direito e pensar na dualidade das partes no processo (tese e antítese ou mesmo acusação e defesa) e na decisão da justiça (síntese) como mecanismo que dá movimento ao homem e à sociedade. Os eventos da segunda Guerra Mundial e o altruísmo da atitude de Armstrong e outros, como Madre Teresa de Calcutá e Gandhi, colocam a humanidade e a sociedade em movimento. Por isso, este período do ano é fértil para refletir sobre os caminhos da humanidade, da sociedade e do direito.   Também há a luz que se acende com o dia 19 de maio, dedicado a santo Ivo, patrono da advocacia. Remete ao pensamento de que aquele homem no desempenho da atividade jurídica favoreceu os pobres, necessitados e carentes, gerando em torno de si muitas histórias de astúcias para defesa dos desvalidos. Aquele jurista estava aonde ninguém mais queria ir.   Aí reside o pensamento nobre para o advogado e o jurista, ir aonde nenhum jurista jamais esteve, ao lado daqueles que não têm voz nem vez. Advogando essas causas, tendo sensibilidade e coragem para decidir a favor delas.   É muito conhecido no meio jurídico o trabalho do professor Boaventura Souza Santos analisando uma favela no Rio de Janeiro e seu conceito de emancipação, em que busca aplicar a todas as gentes que pesquisa e atua.    O posicionamento jurídico, de advogados, promotores, juízes e profissionais que atuam na promoção de direitos humanos e defesa da cidadania conquistada, é exigência dos tempos modernos, atitude como a de santo Ivo, de estar ao lado e a serviço da promoção humana.  Por isso, nas reflexões deste período, reside a necessidade de se ir “aonde nenhum jurista jamais esteve”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave