Inglaterra é o país que cederá mais jogadores para Copa

Seleção brasileira terá seis atletas que atuam no Reino Unido; Bélgica é a recordista, com 12 que jogam na "terra da rainha"

iG Minas Gerais | AGÊNCIA ESTADO |

SANG TAN/ASSOCIATED PRESS
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A Copa do Mundo é no Brasil, mas a esmagadora maioria dos jogadores atua na Europa, principalmente na Inglaterra. Um levantamento dos cerca de 950 jogadores pré-convocados para as 32 seleções revela que mais de dois terços deles jogam em clubes europeus. Apenas 2% deles atuam no Brasil.

Os dados foram coletados pela Fifa a partir das convocações que cada federação repassou para a entidade com os jogadores que pretende levar para o Brasil. O resultado é um retrato de onde está o poder e o dinheiro no futebol mundial, independentemente da nacionalidade.

No total, um sexto dos jogadores atua na Inglaterra - são 131 atletas. A seleção brasileira entrará em campo com David Luiz, Oscar, Willian, Ramires (todos do Chelsea), Fernandinho (Manchester City) e Paulinho (Tottenham). A Espanha tem oito de seus jogadores atuando na Inglaterra, a França tem nove e até o Irã tem dois. Mas o recordista é a Bélgica, com doze.

Das 32 seleções, só a Itália não conta com um jogador que atue no futebol inglês. Já o técnico da seleção daquele país, Roy Hodgson, convocou seus 23 jogadores e apenas um dos goleiros reservas joga fora e, não muito longe, no Celtic, da Escócia.

A segunda maior concentração está na Alemanha, com 100 jogadores seguida pela Itália, com 96. Os clubes da Espanha, campeã do mundo, aparecem com 78 atletas na Copa. Mas novas potências financeiras também aparecem na lista. A Rússia manda 43 jogadores para a Copa. A Turquia, que nem sequer irá ao Brasil, aparece com 26 jogadores.

No caso do Brasil, o número é de apenas 16, ainda que nos últimos anos os clubes tenham feito esforços para pagar salários mais altos e trazer de volta velhos craques. Uma situação ainda pior vive a Argentina, com meros 10 jogadores no torneio.

Só o Bayern de Munique levará para a Copa mais jogadores que todos os clubes brasileiros juntos. Serão 18 atletas do time alemão no Mundial. Na segunda posição entre os clubes vem o Manchester United, com 16. O Barcelona terá 14 jogadores; Juventus, Napoli e Real Madrid mandarão 13 cada.

ELITE - A concentração de tantos craques da Copa em tão poucos campeonatos é algo que, na verdade, preocupa dirigentes e especialistas. Metade dos jogadores que irão para o Brasil estão em apenas cinco países, o que já vem sendo denunciado pelo candidato à presidência da Fifa, Jerome Champagne, como uma demonstração de que a elitização pode ser prejudicial para o futebol.

"O sistema global do futebol foi desregulado e a distribuição do dinheiro no futebol favoreceu a uma elitização do jogo", declarou em entrevista à reportagem. "Isso não é um problema entre a Europa e o resto do mundo. Mesmo dentro da Europa temos uma minoria elitista", apontou.

Para a Copa de 2014, os grandes clubes europeus conseguiram convencer a entidade a pagar um aluguel recorde pelos jogadores que seriam emprestados pelos times para as seleções. No total, a Fifa destinará US$ 70 milhões para compensar os clubes por estarem emprestando os craques. Em 2010, a entidade havia pago US$ 40 milhões. Por dia, um clube receberá um pagamento de US$ 2,8 mil por jogador emprestado.