A face documental de Humberto Mauro

Além de exibição de longas e documentários, mostra dedicada ao diretor mineiro promove palestras até dia 12

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Cena de “A Velha a Fiar” (1964), um dos curtas mais conhecidos do diretor
fcs / divulgação
Cena de “A Velha a Fiar” (1964), um dos curtas mais conhecidos do diretor

Considerado o “pai do cinema brasileiro”, Humberto Mauro (1897-1983) é homenageado pelo Fundação Clóvis Salgado com a mostra “Humberto” até o dia 12 de junho. Na programação, além de filmes e curtas dirigidos pelo artistas, constam também palestras. A primeira delas, que acontece amanhã, às 16h, ressaltará a faceta documentarista do artista, que entre 1936 e 1964, trabalhou no Ince (Instituto Nacional do Cinema Educativo) e produziu cerca de 300 documentários.

Para a pós-doutora em Multimeios pela Unicamp e autora do livro “Humberto Mauro e As Imagens do Brasil”, Sheila Schvarzman, um dos grandes feitos do diretor foi de misturar ficção aos documentários. “Mesmo sob um ideário educacional, ele faz ‘docudramas’, em que junta as partes documentais com encenações”, comenta a professora, que ministrará a palestra.

Um dos curtas-metragens documentais que ilustra esse aspecto do cinema de Humberto Mauro é “Sete Lagoas” (1939), que será exibido amanhã, como parte da programação da mostra (veja programação nas páginas 9 e 10). “É espantoso o que ele fez nesse filme. Para falar das cavernas e da história do dinamarquês (Peter Lund, paleontologista que descobriu 12 mil fósseis em cavernas de Minas Gerais), ele filmou diversas pessoas entrando com tochas na caverna e atrelou a isso música. Isso é um trabalho cinematográfico”, diz Sheila.

Em “Carro de Bois” (1974), o diretor faz um retrato do homem brasileiro daquela época. “O carro de boi é um metáfora que chora, canta e morre”, afirma a professora.

Os documentários “Canções Populares (‘Chuá - chuá’ e ‘Casinha Pequenina’)” (1945), “Aboio e Cantigas (1954)” e “Manhã na Roça – o Carro de Bois” (1956) também serão exibidos neste primeiro final de semana da mostra. “Digamos que esses filmes estão entre os ‘top 10’ do Humberto Mauro e que os tornaram conhecido”, diz Sheila.

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