Drama familiar desestruturado

iG Minas Gerais |

 “Emilia” envolve o espectador na intimidade de uma família para contar uma história de fracassos. A personagem-título é o elemento invasor, a partir do qual se lança um olhar externo sobre a conjunção disfuncional entre pai, mãe e filho, construída a princípio pelo estranhamento incrustado na rotina do trio, até que aos poucos revelem-se desacertos que conduzam a um final trágico.

O ato extremo cometido pelo pai e a atitude de Emília frente a ele – só sugerida – compõem uma dramaturgia que parece querer provar uma tese, expondo o contraste entre a indiferença no núcleo familiar e a aptidão ao sacrifício da ex-babá que retorna. Entre o desamor e o amor incondicional.

A história se adensa pelas atuações verossímeis que variam com sutileza entre o familiar e o estranhado, de modo que cada personagem guarde um drama complexo para si, do qual somente parte escape à vista.

A ambientação em um reduzido quadrado cercado de pilhas de roupas e caixas elimina o excesso de realismo para concentrar na essencialidade emocional do melodrama.

O teatro de Claudio Tolcachir é o desse drama desestruturado. Um contador de histórias que requer a imersão na ficção. (Luciana Romagnolli/especial para o TEMPO)

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