Prazer e degrado pelo consumo

iG Minas Gerais |

“Emília” traz o drama desestruturado de Claudio Tolcachir
Gustavo Andres Pascaner
“Emília” traz o drama desestruturado de Claudio Tolcachir

“Frag#3 Aproximación a la Ideal de Desconfianza” coloca o público em condição de alerta, ao privá-lo do acomodamento na poltrona e demandar um trânsito pelo espaço. O consumismo (fast-food) e o automatismo rotineiro (videogames e disparos incessantes da máquina fotográfica) são alvos do texto de Rodrigo García e da encenação da companhia PitouStrash, como a indagar como consumimos o tempo e qual experiência de vida nos proporcionamos.

A opção por abdicar das legendas e deixar fruir os textos em francês, espanhol e portunhol desloca o foco de atenção das palavras para os corpos. A legenda romperia a espontaneidade da fala e o discurso não alcança a elaboração poética irônica mostrada por García em “Gólgota Picnic”.

Como cena, “Aproximación” também não repete o impacto sensorial do espetáculo anterior de García, dirigido por ele mesmo. Mas sua força visual e performática vem do modo como os atores inscrevem o consumo nos próprios corpos, levando ao paroxismo a relação de prazer e degrado entre o corpo e o consumo.

O carrinho de supermercado em chamas ao som de música sacra transpõe na imagem final a crítica ao lugar de devoção que o consumismo ocupa em nossos tempos. (Luciana Romagnolli)

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