Servidores alegam volta de demissões na Rede Minas

Funcionários acusam o governo de quebrar acordo

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Campanha. Desde 2013, movimento “Salve a Rede Minas” tem lutado pela programação da emissora
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Campanha. Desde 2013, movimento “Salve a Rede Minas” tem lutado pela programação da emissora

O tempo está se esgotando para que a programação da Rede Minas permaneça no ar. Essa foi a mensagem dos representantes do movimento “Salve a Rede Minas” em debate realizado nessa quinta pelo Centro Acadêmico do curso de comunicação social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo eles, o governo do Estado não está cumprindo o acordo feito em agosto do ano passado, que previa que nenhum jornalista da TV seria demitido até que o concurso público, em andamento, fosse homologado, e os nomeados pudessem preencher os cargos vagos. “Desde abril, as demissões voltaram a acontecer. Várias pessoas estão de aviso prévio, e nossa luta para manter a programação no ar está perdendo força”, conta Leandro Lopes, diretor do programa “Diverso”, que exibe seu último episódio nesta semana.

Além dele, as atrações “Mais Ação” e “Planeta” também já foram extintas, e suas equipes, desmanteladas. No caso do “Diverso”, a segunda temporada do programa contou com a coprodução da TV Brasil, que investiu R$ 700 mil no projeto. De acordo com Lopes, havia negociações para que a terceira fase contasse com a mesma parceria, “mas elas não foram concluídas, e a direção da TV decidiu pelo fim do programa”. A Rede Minas ofereceu um remanejamento para Leandro, que recusou e deixa a emissora no próximo dia 3.

Procurado por O TEMPO às 18h30 dessa quinta, o governo do Estado afirmou que não poderia se posicionar as alegações até o fechamento desta edição e que se posicionaria sobre a questão nesta sexta. O concurso da Rede Minas, cujo edital sofreu tentativas de impugnação pelo Sindicato dos Jornalistas, ainda não teve seu resultado publicado.

Ex-diretor do canal questiona motivações da atual gestão Ex-diretor da Rede Minas Israel do Vale questiona as motivações por trás dos atos da atual gestão. Ele participou do debate e afirmou que não faz sentido que uma emissora “que mal tem recursos para a realização de externas” cancele contratos que geram recursos e resultam em atrações que já venceram prêmios de nível nacional. “Acho curioso que isso aconteça no mesmo momento em que a Rede Minas deixa de exibir o telejornal da TV Brasil e o substitui pelo da TV Cultura”, pondera, sugerindo interesses partidários nas negociações. Segundo Vale, dois terços da programação da emissora já são reprises. Leandro Lopes, diretor do Diverso, defendeu que a sociedade civil e a classe artística acompanhem o debate e saibam o que está acontecendo. “É o nosso dinheiro que financia a Rede Minas”, argumentou.

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