Encontro oferece oportunidade de troca de processos

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |


Residentes criam apresentações que são divididas com o grupo
DENILTON DIAS / O TEMPO
Residentes criam apresentações que são divididas com o grupo

Hugo Richard, um dos artistas do Barracão Maravilha, centro artístico localizado na região da Lapa, no Rio de Janeiro, ao frisar que não existem fórmulas quando se trata da criação e gestão de espaços culturais autônomos, sintetiza uma visão predominante entre os participantes do programa “Diagnóstico para Indie.GESTÃO – Residência de Espaços Autônomos”, promovido até hoje no Jardim Canadá Centro de Arte e Tecnologia (JA.CA), em Nova Lima. Ele ressalta esse aspecto em razão das especificidades de cada contexto, do grupo envolvido e das atividades pretendidas. Embora a motivação que leva alguém a começar um projeto desse tipo talvez seja semelhante, Hugo pontua o modo como os meios para se alcançar os objetivos podem ser diferentes. Para ele, é fundamental, assim, compartilhar os processos vivenciados por cada um. “Como não há modelos prontos que sejam eficazes para todo mundo, o ideal é que a gente consiga dialogar e aprender com o outro a partir dos resultados que se obtém. Construir redes de compartilhamento é uma maneira de conhecermos essas diferentes realidades”, explica Hugo Richard. Ana Cristina Cavalcanti, uma das oito integrantes do Espaço Fonte, de Recife, ressalta haver um tempo de maturação que depende de outros fatores até o momento de se avançar nas programações. “Nós, por exemplo, embora começamos em 2011, só agora estamos conseguindo ter uma perspectiva mais sólida e temos algumas ações concretas acontecendo porque, até o presente, nós estávamos estruturando o lugar onde estamos instalados. O Espaço Fonte fica no edifício Pernambuco, um prédio abandonado que foi todo ocupado por artistas. Foi necessário um processo de reforma que nos permitisse deslanchar”, relata Ana Cristina Cavalcanti. Pablo Blanco, do Grifatório, criado em Londrina, pontua que o centro também se encontra nessa mesma etapa. “Desde quando nos propomos a criar uma gráfica que serve para o uso coletivo de artistas, designers, a partir de 2012, a vocação do Grafatório vem se mostrando mais clara agora. Acho que essa ideia de servir como uma plataforma é a qualidade do nosso projeto que vem se consolidando”, diz Blanco. Para Francisca Caporali, co-fundadora e coordenadora artística do JA.CA, essas experiências são aproximadas durante a residência cujo papel, ao seu ver, é arejar o pensamento e afinar uma definição do que vem a ser os espaços autônomos. “Nesses últimos dias, queremos chegar a um conceito. Até 2011, se falava de espaços independentes e isso vem sendo discutido por meio de encontros internacionais, inclusive, promovidos por Helmut Batista, no Rio de Janeiro. Aos poucos se visualizou que na verdade somos dependentes de vários fatores, como recursos financeiros, estrutura física, mas o que é importante não perder de vista é a questão da autonomia. Como manter uma produção autônoma ainda que conectada a formas de financiamento via leis de incentivo, entre outros aspectos?”, questiona Francisca Caporali.  Samanta Moreira, fundadora do Ateliê Aberto, de Campinas (SP), que também realiza o encontro, defende que a autonomia passa pela constante reflexão dos processos de produção artística contemporânea – algo a ser colocado em prática nesses momentos. “É preciso promover o exercício do pensar, o laboratório. Aqui não é o lugar para se encontrar tudo pronto. Se depois o artista desenvolve algo iniciado aqui, essa é uma decisão dele. O que importa na residência é o tempo do pensamento, o borbulhar de ideias”.

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