Alternativas que dão frutos

Gestores de espaços independentes de várias regiões do Brasil compartilham experiências em encontro no JA.CA

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Coletivo. Equipe de residentes é recebida pelas coordenadoras do Ateliê Aberto e do JA.CA
DENILTON DIAS / O TEMPO
Coletivo. Equipe de residentes é recebida pelas coordenadoras do Ateliê Aberto e do JA.CA

Seja em Brasília, Recife, Rio de Janeiro, Londrina, Belém ou Belo Horizonte, a história de quem procura inaugurar um caminho novo, a partir da criação de um espaço independente e dedicado às artes, tem no fundo mais semelhanças que diferenças. A sensação de estar todo mundo no mesmo barco, remando, às vezes, em águas desconhecidas mas estimulantes é algo comum, por exemplo, entre gestores e artistas.

Reunidos até hoje no Jardim Canadá Centro de Arte e Tecnologia (JA.CA), em Nova Lima, cinco residentes discutem essa experiência que espelha a constante necessidade de se ter jogo de cintura para lidar com desafios e expectativas. Selecionados a partir de uma inscrição lançada via internet pelo JA.CA e pelo Ateliê Aberto, de Campinas, em março, Ana Cristina Cavalcanti (Recife), Pablo Blanco (Londrina), Flavia Gimenes (Brasília), Elaine Arrudas (Belém) e Hugo Richard (Rio de Janeiro) são os nomes que chegaram por aqui e, desde segunda-feira (19), participam de um diagnóstico nacional dessas iniciativas.

A tarefa não se vale fundamentalmente de instrumentos quantitativos. Francisca Caporali, co-fundadora e coordenadora artística do JA.CA, observa que o mais interessante é ouvir dos presentes as estratégias criadas por eles para seguir produzindo de maneira autônoma, embora o volume de inscrições reafirme algumas constatações sobre os desequilíbrios existentes entre as regiões do país.

“Nós recebemos mais proponentes do Sudeste, se compararmos com qualquer outro lugar do Brasil, e houve apenas um inscrito da região Norte, que está representado aqui por Elaine Arrudas, uma das pessoas à frente do Atelier do Porto, em Belém”, diz Caporali.

Ao longo da semana, cada um trouxe seu repertório pessoal de vivências. Elaine, que em 2011 inaugurou o Atelier do Porto, ao lado de outros artistas, afirma ter sido essa a primeira casa, que promove exposições e eventos culturais, com esse perfil da capital paraense. Atualmente ela conta ter surgido outros, que acompanham esse movimento.

“Não sei se há uma influência direta do Atelier nisso, mas desde então notamos uma mudança no cenário artístico. No começo éramos apenas nós, e fomos para a área do porto justamente pela possibilidade de nosso trabalho provocar um impacto positivo num ambiente de vulnerabilidade social”, relata Elaine.

Flavia Gimenes, que abriu o Elefante Centro Cultural com o artista Matias Mesquita, em junho do ano passado, em Brasília, percebe um contexto parecido na cidade onde vive. De acordo com ela, além de instituições sustentadas por bancos, são raros museus e galerias ali. A escassez de lugares para apresentar a produção artística contemporânea e experimental de lá a levou a inaugurar o projeto, que segundo a curadora, vem se somando a outros.

“Nós fomos para uma área, localizada na Asa Norte, que é bastante central e muito ocupada por mecânicas e oficinas. Eu ficava muito incomodada com a dificuldade de alguns artistas mostrarem o seu trabalho e resolvi começar esse trabalho com o Matias Mesquita. Estamos buscando, além de promover mostras, oferecer cursos livres que contribuam para movimentar a cena que vem crescendo”, completa Flavia Gimenes.

Como o investimento na maioria dos casos conta com recursos do próprio bolso, as acomodações costumam ser casas antigas que são transformadas em galerias e salas de ateliê. Hugo Richard, um dos fundadores do Barracão Maravilha, sediado na Lapa, no Rio de Janeiro, recorda que em 2009, ele e outros três artistas ocupavam o segundo andar de um casarão. A partir de 2011, toda a construção antiga foi tomada com a adesão de mais três.

Para Richard, essa expansão é sintomática da repercussão alcançada por meio dessa atitude que tem levado outros a tentarem o mesmo, apesar das dificuldades. “Hoje a minha produção tem mais visibilidade à medida que eu mantenho esse espaço. Eu consegui me inserir melhor no contexto cultural da cidade. O Barracão se tornou um lugar de referência. Enquanto o meu trabalho individualmente alimenta as ações do espaço, ele também fortalece o que faço”, reflete. Saiba mais

O programa Diagnóstico para Indie.GESTÃO – Residência de Espaços Autônomos reúne representantes de cinco centros culturais. São eles: Ana Cristina Cavalcanti, do Espaço Fonte, de Recife; Pablo Blanco, do Grafatório, de Londrina; além Flavia Gimenes, de Brasília; Elaine Arrudas, de Belém; e Bruno Richard, do Rio.

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