Médicos param e deixam atendimento ainda pior

Segundo o Sinmed, salário pago em Betim é um dos mais baixos da RMBH

iG Minas Gerais | José Augusto |

Caótico. 
Na UAI do Teresópolis, pacientes esperaram mais de quatro horas para serem atendidos
FOTO: MOISES SILVA / OTEMPO
Caótico. Na UAI do Teresópolis, pacientes esperaram mais de quatro horas para serem atendidos

Após não haver avanços nas negociações com o governo municipal, os médicos de Betim fizeram uma paralisação de 48 horas nas últimas quarta (21) e quinta (22). Apenas casos de urgência e emergência foram atendidos. Com isso, o atendimento aos usuários, já prejudicado devido à greve dos servidores da saúde, iniciada em 30 de abril, ficou ainda pior. De acordo com o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), cerca de 80% da categoria aderiu à paralisação nos dois dias.

Na próxima terça-feira (27), a categoria irá realizar uma assembleia geral para definir os rumos do movimento. “Se não formos ouvidos após essa paralisação de advertência, vamos exercer outras formas de pressão para que sejamos ouvidos pela prefeitura, podem haver até uma greve”, alertou o diretor do Sinmed, César Santos.

Entre as principais reivindicações, a categoria pede um reajuste salarial de 37%. “A situação do médico de Betim é grave. Para se ter uma ideia, eles recebem apenas 61% do salário pago ao profissional da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) e 76% do valor recebido pelos servidores da Prefeitura de Belo Horizonte. Na verdade, esse reajuste aprovado de 7%, se for levado em conta o parcelamento proposto, dá um ganho real de pouco mais de 5%, ou seja, não dá para repor nem a inflação”, explicou.

Ainda de acordo com o Sinmed, atualmente, o vencimento básico pago ao médico que trabalha 24 horas semanais em Betim é de R$ 3.423,66. Em Belo Horizonte, esse valor chega a R$ 4.488,75, e o médico da Fhemig tem vencimentos de R$ 5.611,50 pela mesma quantidade de horas trabalhadas.

Outra reivindicação é a realização imediata de concurso público para o preenchimento de todas as vagas ocupadas por médicos não concursados. “Os médicos efetivos hoje representam menos da metade dos profissionais que atuam no município. Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), apenas dez equipes do Programa de Estratégia da Saúde da Família contam com médicos concursados. Os demais são provenientes de programas como o Mais Médicos e o Provab (Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica), que alocaram mais de 70 profissionais”, afirmou o diretor.

Além do salário defasado, o diretor do Sinmed revelou que a categoria sofre com a falta de segurança nas unidades, com registros recentes de agressões por parte da população, que não consegue atendimento. “Médicos são impedidos de ir embora ao fim de sua jornada do trabalho quando, por algum motivo, acontece a falta do profissional que iria substituí-lo. Também convivemos com precariedade de estrutura em diversas unidades de saúde”, completou Santos.

Na quarta-feira (21), a reportagem de foi até as Unidades de Atendimento Imediato (UAI) Teresópolis e Alterosas e constatou a demora no atendimento devido à paralisação. O Tempo Betim

Em nota, a prefeitura informou que foi aprovado reajuste salarial de 7%, sendo 3% em abril e 4% em agosto. Entretanto, o Executivo não informou se os outros pontos da pauta estão sendo discutidos.

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