Pais lutam para que corpo de filha seja enterrado em casa no Sul de MG

Após sofrer acidente de carro, jovem de 18 anos foi sepultada três vezes; juíza da cidade não autorizou sepultamento fora do cemitério

iG Minas Gerais | CAROLINA CAETANO |

Bianca e o namorado voltavam de uma festa quando sofreram o acidente
Reprodução / Facebook
Bianca e o namorado voltavam de uma festa quando sofreram o acidente

Em apenas nove dias, uma família de Santo Antônio do Monte, no Sul de Minas, teve que enfrentar a perda de uma jovem de 18 anos, que morreu em um acidente de carro, e ver o corpo da universitária ser sepultado três vezes. A polêmica começou depois que os familiares, após o primeiro enterro no cemitério da cidade, resolveram sepultar a adolescente no quintal de casa, e conseguirem autorização para isso. No entanto, na última terça-feira (20), uma juíza determinou que o corpo voltasse para o cemitério.

Bianca Rodrigues Silva morreu no dia 11 (domingo), Dia das Mães, a 500 metros de casa. O corpo foi sepultado no mesmo dia após o avô oferecer uma sepultura de família no Cemitério Santo Antônio do Monte. “Não estava com cabeça para resolver nada. Meu pai e sobrinhos que resolveram tudo. Porém, na terça-feira (13), a minha outra filha lembrou que Bianca sempre dizia que não queria sair de perto da família e perguntou se teria como construir um túmulo aqui em casa”, contou o pai da jovem, o engenheiro civil Daniel Rodrigues da Silva, de 41 anos.

Aceitando a ideia da filha do meio, o engenheiro procurou a delegacia da cidade e a prefeitura. Ele explicou a situação e conseguiu uma autorização do delegado e do secretário de administração da prefeitura para o translado e a exumação do corpo. No dia 15, já com todos os papéis em mãos, o pai solicitou que a funerária fizesse o transporte do caixão do cemitério para a sua casa.

“Fiz tudo certo. Meu lote é grande e pedi que meu amigo fizesse um estudo da terra e conseguimos um laudo de impermeabilidade do solo. Depois que o corpo veio para minha residência nos sentimos melhores. Eu tenho condições de manter a Bianca aqui”, disse Silva.

O secretário de Administração pública do município, Antenógenes Antônio da Silva Júnior, afirmou que autorizou o translado após a decisão da Polícia Civil. “O delegado autorizou e, no meu entendimento, não havia empecilho nenhum. Apesar de não ter procurado a Vigilância Sanitária, o pai obedeceu ao que era solicitado para a construção do túmulo e apresentou um laudo técnico”, explicou o secretário.

Porém, o transtorno começou depois que a juíza Lorena Teixeira Vaz Dias expediu um mando de busca e apreensão e ordenou que um oficial de Justiça fosse até a casa da família buscar o caixão outra vez. “O oficial chegou com reforço policial até de Bom Despacho. Não tinha necessidade de fazer isso tudo. Minha mulher estava sozinha em casa”, desabafou o pai.

Com a ordem judicial, o caixão de Bianca voltou para o cemitério. De acordo com o advogado da família, Bruno César de Melo, a juíza alegou que o sepultamento em casa poderia causar risco à saúde pública, além de abrir precedentes para outros casos.

“Não existe uma lei especifica para sepultamento em casa. Cada município pode legislar da maneira que achar melhor”, explicou o advogado.

Ainda segundo o defensor, após o sepultamento em casa, ele entrou com um pedido de autorização judicial para que o corpo pudesse ficar no imóvel, mas, novamente, a juíza não autorizou. Uma outra possibilidade, seria a cremação de Bianca.

“Vou conversar com o meu cliente na próxima segunda-feira (26). A família vai decidir se entra com um recurso ou se aceita a cremação”, disse Bruno.

Enquanto isso, os pais e dois irmãos da jovem sofrem com a situação. “Minha filha está parecendo um sofá, que eles jogam de um lado para o outro na sala. Ainda não decidimos o que vamos fazer”, finalizou o pai.

A reportagem de O TEMPO tentou contato com a juíza, mas nenhuma ligação no fórum da cidade foi atendida.  

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