Excesso de informação

iG Minas Gerais |

O episódio da suposta negociação frustrada para a venda do perfil “Dilma Bolada” para a campanha do PSDB é uma espécie de termômetro de como e por onde irão passar as eleições deste ano. Para quem ainda resiste ao mundo virtual, é necessária uma explicação. “Dilma Bolada” é uma personagem virtual criada por um estudante de publicidade, Jeferson Monteiro, 24, para promover de forma bem-humorada a presidente Dilma Rousseff no Twitter e no Facebook e também para satirizar seus críticos e adversários políticos. O perfil, segundo Jeferson, foi idealizado a partir da admiração pela presidente e possui mais de 1 milhão de seguidores nas duas redes. O sucesso da ideia já rendeu até um encontro de Jeferson com Dilma, a verdadeira. Nessa semana, o estudante disse ter sido assediado por pessoas ligadas ao PSDB para trocar de lado. O preço da virada de casaca seria R$ 500 mil. Todas as pessoas citadas por Jeferson como intermediadores da campanha tucana negaram a oferta. O caso mobilizou um contingente enorme de eleitores, ganhou a mídia tradicional, e o PT utilizou as informações de Jeferson para atacar o PSDB. Nenhuma novidade, tratando-se de campanha política. O interessante nesse caso é perceber como as redes sociais se transformaram em fonte de informação principal para muita gente – e nas eleições serão ainda mais. Pelo menos até ontem, era ainda impossível saber a versão mais confiável para o episódio, mesmo um dos envolvidos tendo admitido ter conversado com o criador da “Dilma Bolada” e ter sondado sobre a suposta venda do perfil. Em uma terra aparentemente de ninguém, como são as redes sociais, é natural e salutar sempre duvidar de quaisquer manifestações espontâneas. Deixando o caso “Dilma Bolada” de lado, é notório a quantidade de notícias falsas ou velhas veiculadas e replicadas no Twitter e no Facebook como se fossem verdades. A “TV Revolta” é uma dessas novas febres, disseminando boatos, senso comum e notícias maliciosas, tudo devidamente sem apuração ou critério. Por isso, uma boa dica válida para tudo publicado nas redes sociais – e por que também não para outras mídias – é sempre questionar e não se restringir a leituras superficiais. Uma lista com ótimas sugestões, principalmente tratando-se de um ano eleitoral, foi divulgada em um texto, publicado por Ana Freitas, no blog You Pix. Vamos a elas: leia mais que o título, duvide do que vem sem fonte, opte por fontes em que você já acredita e confia, desconfie de informações muito bombásticas em veículos desconhecidos, procure saber a versão do outro lado envolvido na história e clique com o botão direito sobre as imagens publicadas na rede para saber a procedência delas. Como alerta a autora, esta eleição pode ser a da desinformação.

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