O elegante

iG Minas Gerais | Victor Martins |

Coube ao mineiro Mauro Ramos de Oliveira a responsabilidade de erguer a Taça Jules Rimet em 1962. Nascido em Poços de Caldas, em agosto de 1930, Mauro precisou de paciência até ser o capitão do Brasil na segunda conquista, em 1962, no Chile. Isso porque a titularidade só chegou na terceira Copa do Mundo do zagueiro, reserva em 1954 e 1958.

Revelado pela Sociedade Esportiva Sanjoanense, de São João da Boa Vista-SP, Mauro se profissionalizou e ganhou destaque quando chegou ao São Paulo, no fim da década de 1940. O estilo elegante de jogar futebol, até mesmo na hora de roubar a bola dos adversários, fez o defensor do Tricolor ganhar o apelido de “Martha Rocha”, Miss Brasil na época e sinônimo de beleza no Brasil.

Mas, para ser o titular e o capitão do Brasil em 1962, Mauro Ramos teve que ganhar a posição no grito. Embora estivesse em melhor fase do que Bellini, o titular e também capitão quatro anos antes, Mauro seria preterido pelo técnico Aymoré Moreira. Como sabia que a decisão do treinador brasileiro e dos dirigentes seria por superstição e gratidão aos titulares de 1958, Mauro Ramos questionou a decisão do técnico.

“Faço questão de saber por que o senhor está me barrando, seu Aymoré. Estou lutando por esse lugar desde o início dos treinamentos. Tenho me saído bem. Não vou aceitar”, disse o zagueiro, que, aos 32 anos, estava perto de seu último Mundial. Depois de escutar dirigentes e outros membros da comissão técnica, Aymoré confirmou Mauro como titular. “Era isso que eu queria escutar”, respondeu Mauro.  

Amizade entre capitães Bellini foi o capitão do Brasil em 1958 e o responsável pelo gesto de erguer a taça. Ao levantar a Jules Rimet, na Suécia, ele criou um ritual que é seguido até hoje no futebol. Sempre que alguma equipe é campeã, o capitão levanta o troféu. Com todo esse peso dentro da seleção brasileira, Bellini caminhava para ser titular em mais uma Copa do Mundo, mas acabou sendo barrado por conta da reclamação de Mauro Ramos. No entanto, se engana quem pensa que o capitão de 1958 ficou chateado. Bellini sabia que o companheiro e reserva quatro anos antes estava em um momento melhor, por isso aceitou a reserva. Se antes eles eram meros companheiros de seleção, a partir de 1962, Mauro e Bellini se tornaram grandes amigos. E assim seguiram, até setembro de 2002, quando Mauro morreu, em Poços de Caldas.

 

Santos. Apesar de ter jogado por mais de dez anos no São Paulo, clube pelo qual foi convocado pela primeira vez, Mauro foi titular na terceira Copa, quando já era jogador do Santos

Relógio. Por conta da Copa de 2014, uma fábrica de relógios lançou uma série especial, chamada “Capitães da Copa”. São cinco modelos, cada um com uma assinatura de um capitão campeão com o Brasil

México. Antes de encerrar a carreira, Mauro Ramos foi para o México. Lá jogou pelo Toluca. Antes de retornar ao país, ele ainda treinou o Club Deportivo Oro

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