Imprensa independente volta a Cuba, e site é retirado do ar

Quem está no país não vê site oficial, mas outra página, que ataca a líder da iniciativa, Yoani Sanchéz

iG Minas Gerais |

Luta. Yoani, que veio ao Brasil em fevereiro de 2013, acusa o governo cubano de censurar o site
ROBSON FERNANDJES/ESTADÃO CONTE
Luta. Yoani, que veio ao Brasil em fevereiro de 2013, acusa o governo cubano de censurar o site

HAVANA, Cuba. Com uma reportagem sobre a violência nas ruas de Havana, a blogueira e dissidente cubana Yoani Sánchez lançou nessa quinta o portal jornalístico www.14ymedio.com, mas o site foi hackeado três horas após entrar no ar. Pelo Twitter, Yoani acusou o governo cubano de ter bloqueado e redirecionado a página do portal, o primeiro que reúne notícias independentes do governo de interesse geral de Cuba em cinco décadas. De outros países, é possível acessar o site. O governo não fez nenhum comentário oficial sobre o jornal.  

“Má estratégia do governo cubano de redirecionar a nossa web. Nada é mais atrativo que o proibido”, postou a blogueira no microblog, para depois dizer: “Já experimentei e se pode entrar de #Cuba com proxy (identificação online) anônimo. Abaixo a censura”.

O portal dirigia os leitores à página chamada “Yoanilandia.com” – com a mesma URL do 14ymedio.com –, recheada de artigos assinados por blogueiros prógoverno atacando Yoani.

“Este é um site de pessoas cansadas de que Yoani Sánchez se apresente como a Madre Teresa de Calcutá dos dissidentes cubanos”, dizia uma mensagem intitulada “Quem somos”, com um fundo exibindo bandeiras dos Estados Unidos e da União Europeia, além de nomes de outros meios críticos ao governo cubano.

‘Cuba dentro de Cuba’. A proposta do site de Yoani é abordar todos os aspectos da realidade cubana, a partir de notícias, reportagens e cadernos de cultura e esporte. “Um espaço para falar de Cuba dentro de Cuba”, definiu Yoani em seu blog.

A primeira edição traz uma reportagem sobre a violência, com base em uma noite passada no Hospital Calixto García, na capital. O texto analisa a questão dos médicos cubanos no exterior, incluindo uma declaração de um profissional exilado, assim como declarações do ministro da Saúde, Roberto Morales Ojeda, negando que o programa traga problemas para o atendimento no país.

Uma lista publicada no site mostra o apoio de jornalistas, intelectuais e políticos ao jornal, entre eles o escritor Mario Vargas Llosa e o ex-presidente da Polônia Lech Walesa.

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