Um enxame de gafanhotos pousado sobre o Brasil

iG Minas Gerais |

Valha-nos, Nossa Senhora Aparecida, nossa santa padroeira, porque um maléfico enxame de gafanhotos opera, há quase 12 anos, sem cessar e sem dó, sobre as lavouras do nosso país. Claro, refiro-me à espessa nuvem desses terríveis insetos, também conhecidos por uma espécie de crença destruidora que se apossou da maioria menos esclarecida da nação, da sua boa-fé, inerme ante a mentira e os chamados “marqueteiros”, que se assemelham à casta indiana dos intocáveis, aqui destinados a fraudar o entendimento dos eleitores sobre os seus reais problemas, interesses e sofrimentos, transformando-os ou consolidando-lhes o processo de deturpação da já triste realidade que enfrentam, no árido quotidiano das suas vidas miseráveis. Formado o quadro político-eleitoral brasileiro poucos meses antes do encontro democrático mais importante dos agentes e destinatários verdadeiros das reformas indispensáveis, não constituem eles os mais independentes e esclarecidos, mais senhores de si e menos objetos da burla e da cobiça da descomprometida safra de gafanhotos que infesta os campos férteis tornados improdutivos pelas nuvens de predadores; antes, sob espesso e difuso mal-estar, estão confusos, inseguros, incertos do que as parcas lhe reservam. Pesam-nos a retórica, as hipérboles enganosas, o logro, a demagogia desenfreada dos que utilizam o artifício ardiloso para iludir e captar o voto desprevenido. A nação brasileira roga, clama e exige não apenas a desvinculação com o passado que a estagnou, esclerosou e impediu-lhe o progresso. Quer, também, tudo isso em cinzas, cobrindo a decepção dos que sofreram e se desiludiram, hoje servindo de símbolo permanente para afastar do esquecimento e aquecer as mentes dos desesperados e vítimas dos herdeiros dos gafanhotos de outrora. É de recordá-los, sempre, como os versos de Soares de Passos: “À porta dos ricos (os gafanhotos de outros climas, outras plagas) bati sem alento. Eu rico, outrora, mendigo por fim”. Então, virá, como premissas, o “oublier, jamais”, enquanto se há de “pardonner, toujours”. O lulopetismo, nas suas contradições, na sua constante desmemória, aborrece o regime militar, mas admira o bolivarismo primário. Contudo, e espertamente, quando acha que precisa dos seus integrantes ainda disponíveis, não hesita em convocá-los. O preferido é o esperto e aético ex-ministro Delfim Netto, o “czar da economia” do governo armado. Quiçá, algo de natureza atávica, compatível com o seu autoritarismo congênito. Convém lembrar que o PT é uma agremiação partidária gestada nas entranhas da ditadura para ser o contraponto de Brizola. Golbery ajudou o primeiro para massacrar o segundo. Foi péssimo o resultado: o lulopetismo revelou-se muito mais perigoso do que o brizolismo. Aquele, formando militantes sindicais e da esquerda autocrática e totalitária, leninista-stalinista, recebeu e incorporou lições de prepotência, truculência, brutalidade e o amoralismo nos métodos e objetivos. Mudaremos isso? Não sei, sou cético.

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