Uma aliança que poderá deixar muitas feridas nos dois partidos

iG Minas Gerais |

DUKE
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O Partido Socialista Brasileiro (PSB), se afinal cair definitivamente na Rede (refiro-me ao partido que Marina Silva pretendeu registrar, mas não teve sucesso, e não ao entrelaçamento de fios ou cordas), corre o risco de se transformar depressa noutra coisa qualquer. Talvez na esfinge – “um monstro fabuloso, com corpo de leão, alado ou não, e cabeça humana”. No Egito, já foi guarda de santuários e túmulos. Não há, certamente, penso eu, nenhum partido político com dificuldades graves semelhantes às que têm hoje o PSB e, sobretudo, seu candidato a presidente da República, Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco e ex-ministro de Lula, no seu primeiro mandato – um político jovem e, sem dúvida, com grande potencial para crescer. Qualquer um que quiser falar com o socialista, ainda que o assunto interesse a ele, esbarra (ou tropeça) na Rede, ou melhor, na Marina. Isso porque ela assim o quis e assim o quer, sob o argumento de que seu grupo representa o lado limpo da política. Marina insiste em serem ela e sua Rede Sustentabilidade os únicos intérpretes da ética e, também, das manifestações de rua ocorridas no meio do ano passado. Bastante preocupado com a até há pouco quase certa aliança entre PSDB e PSB, principalmente nos Estados de Pernambuco e Minas Gerais, o PT, por meio do ex-presidente Lula, seu principal trombeteiro, agora cerra fileiras contra seu ex-aliado e pede, por ora, a inclusão, na CPI da Petrobras, da investigação em torno do porto de Suape. Em entrevista em Campinas, à rádio Bandeirantes, Campos considerou a ação dos seus ex-companheiros de lida política uma retaliação: “É óbvio que é uma retaliação”, disse em resposta à indispensável pergunta do repórter. “Estou tranquilo com relação à investigação. Suape é uma empresa estadual bem-gerida, com suas contas aprovadas”, afirmou. Pelo que se tem verificado até aqui, os ânimos no PSB estão exaltados. Para alguns socialistas, essa exaltação, além de pano de fundo, não chega a atrapalhar as relações pessoais de Campos e Aécio Neves, que vão de vento em popa. O candidato da legenda (da Marina, não de Campos), por enquanto, é Apolo Heringer, mas o presidente dos socialistas em Minas, deputado Júlio Delgado, já está rouco de tanto ouvir, por atos inequívocos, o apoio do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), e de sua mulher aos tucanos. Regina, dizem, seria um dos suplentes de Antonio Anastasia, cuja candidatura intimida as demais. Júlio Delgado é filho do experiente Tarcísio Delgado, que foi deputado diversas vezes. O nome do pai, não o do filho, já foi ventilado, no lugar de Heringer, como candidato do PSB ao governo. Assim, o filho ficaria mais um tempo na Câmara para, depois, alçar voos maiores. Mas alguém já lhe teria observado que o ideal seria o contrário: Júlio seria candidato ao governo, e Tarcísio, à Câmara Federal outra vez. O presidente do PSB mineiro tem feito o que pode para um acordo chegar a bom porto. É possível que, em favor da aliança com os tucanos em Minas, ele já conte com os deputados estaduais e federais da legenda. A candidatura própria não ajuda a de Campos, mas poderá dificultar os candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal. É provável, mas não é certo, que o PSB mineiro e a Rede continuem juntos até as eleições de outubro. Qualquer decisão da direção nacional do PSB, porém, deixará, nos dois, feridas incuráveis. E isso só ajudará o adversário que ambos (PSB e PSDB) elegeram juntos. A política tem mesmo a maleabilidade da nuvem.

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