Motoristas e cobradores decidem voltar ao trabalho nesta quinta-feira

Empresas não concordam em reabrir a negociação, uma vez que houve uma assembleia na última segunda-feira (19) em que um grupo de trabalhadores aprovou o aumento de 10%

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Os motoristas e cobradores de ônibus afirmaram na noite desta quarta-feira (21) que voltarão ao trabalho à 0h desta quinta-feira (22). Uma reunião entre Ministério do Trabalho, sindicato e trabalhadores dissidentes também pede ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que intermedeie nas negociações. O grupo deve se reunir na prefeitura às 10h de amanhã.

"Nunca vi uma radicalidade tão grande por parte das empresas. Os empresários estão intransigentes e não aceitam reabrir negociações. Por isso, decidiram pedir a intervenção do prefeito para que ele ajude a pressionar as empresas a reabrir as negociações", afirmou o superintendente regional do trabalho em São Paulo, Luiz Antonio Medeiros.

As empresas não concordam em reabrir a negociação, uma vez que houve uma assembleia na última segunda-feira (19) em que um grupo de trabalhadores aprovou o aumento de 10%. "Se não houve cooperação, vamos parar a cidade de novo", afirmou Paulo Martins Santos, representante dos grevistas da empresa Gato Preto.

Antônio Roberto Pavani Júnior, advogado do sindicato patronal, afirmou na noite desta quarta que o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) concedeu uma liminar que exige que os grevistas mantenham em operação 75% dos ônibus de cada linha de São Paulo a partir da 0h de quinta-feira.

Segundo ele, a liminar também determina uma multa pelo descumprimento, mas não soube informar o valor e contra quem essa multa seria aplicada. O sindicato também entrou com uma ação no TRT para considerar a greve ilegal, o que poderia abrir a possibilidade das empresas demitir os grevistas por justa causa.

Paralisação 

Pelo segundo dia seguido, motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo fazem uma paralisação. Nesta quarta-feira, cinco das nove empresas que atendem a cidade estão fechadas. Além disso, nove dos 28 terminais estão parados. O rodízio de veículos foi suspenso na tarde desta quarta.

Com a paralisação, a capital paulista registrou nesta terça a maior lentidão desde o início do ano, com 261 km de filas. Nesta quarta, o trânsito está dentro da média do horário, mas a SPTrans aponta em torno de 300 mil pessoas afetadas pela falta de coletivos.

Houve registro de coletivos abordados por homens armados nesta quarta-feira. Segundo o secretário Jilmar Tatto (Transporte), criminosos mandaram que motorista e passageiros descessem do veículo.

Os dissidentes negaram que tenham qualquer ligação com a chapa que faz oposição ao atual presidente do sindicato. E dizem não concordar com o reajuste negociado entre sindicato e empresas de ônibus, de 10%. Entre as reivindicações do grupo grevista estão 30% de reajuste salarial, aumento no vale-refeição e mudança no plano de saúde.

"A maioria dos que estão reivindicando levantou a bandeira do sindicato atual, mas não está contente com o que foi decidido por ele", afirmou o motorista Luiz Pereira Lima, da empresa Simbaíba.

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