Mesmo cassado, Bola é beneficiado e terá regalias de policiais civis

Ex-policial, condenado a 22 anos pela morte de Eliza Samudio, foi transferido para a Casa de Custódia do Policial Civil, no Horto

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

Jurados entenderam que o ex-policial foi o responsável pela execução de Eliza Samudio
TJMG/DIVULGAÇÃO
Jurados entenderam que o ex-policial foi o responsável pela execução de Eliza Samudio

Beneficiado por um artigo da nova Lei Orgânica da Polícia Civil (PC), o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que foi condenado a 22 anos de prisão por envolvimento na morte de Eliza Samudio e que também responde por outros crimes cometidos, foi transferido na tarde de terça-feira (20) do Presídio Professor Jason Soares Albergaria, em São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de Belo Horizonte, para a Casa de Custódia do Policial Civil, localizada no bairro Horto, na região Leste da capital. 

Segundo a assessoria da PC, Bola foi transferido por volta das 16h desta terça, sendo que a corporação não soube informar o motivo da transferência, que teria ocorrido com auxílio da justiça. Entretanto, o Tribunal de  Justiça de Minas Gerais (TJMG) afirmou que  comarca de Igarapé recebeu o pedido de transferência que não foi conseguido por meio da Justiça, mas sim, a pedido da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS). 

Em contato com a secretaria, O TEMPO foi informado que o motivo da transferência foi que os advogados que representam o ex-policial apresentaram a nova Lei Orgânica, que garante o direito de até mesmo policiais que tenham sido cassados ficarem detidos na Casa de Custódia. 

Segundo o Artigo 38, no parágrafo X, compete à Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária "receber, recolher e custodiar o policial civil da ativa ou aposentado, mesmo aquele que tenha sido demitido do cargo ou tenha cassada a aposentadoria em virtude de condenação, submetido a procedimento de natureza judicial ou contingenciamento de ordem legal, na Casa de Custódia da Polícia Civil". 

A reportagem tentou falar com os advogados do ex-policial, porém, nenhum deles atendeu às chamadas telefônicas. Segundo o escritório do advogado Zanone Manuel De Oliveira Junior ele está em uma viagem e não poderia atender às ligações.

A Casa do Policial

Localizada na rua Pitangui, a Casa do Policial Civil foi inaugurada em 2006 e teve um gasto de R$ 1,2 milhão do Estado. Lá são oferecidas 46 vagas a policiais autuados em flagrante ou detidos por força de mandados expedidos pela Justiça, sendo que, até a nova Lei Orgânica aprovada no fim de 2013, eles só perderiam este direito se fossem expulsos da corporação. 

O local tem 752 metros quadrados de área construída, sendo 64 metros quadrados reservados ao pátio de sol. O prédio conta com três alojamentos masculinos e um feminino, sendo seis celas individuais e três salas para encontros íntimos. 

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