Mineira cria site para ajudar o pai, de 61 anos, a conseguir emprego

Site "Meu pai não merece um emprego?" conta de maneira informal e bem-humorada a história de Paulo Furtado e sua experiência profissional de mais de 30 anos; algumas empresas já o procuraram

iG Minas Gerais | THAÍS PIMENTEL |

“Eu achei lindo. Foi uma demonstração de amor mesmo”, se derrete Paulo,ao falar da iniciativa da filha única
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“Eu achei lindo. Foi uma demonstração de amor mesmo”, se derrete Paulo,ao falar da iniciativa da filha única

“Meu pai não merece um emprego?”. O apelo é de Carolina Furtado, de 29 anos, filha de Paulo Furtado, de 61 anos. Depois de trabalhar em construção civil, mineração, geologia e geotecnia por mais de 30 anos, ele está desempregado pela primeira vez. Há nove meses, procura por uma vaga, mas a idade vem pesando no currículo. “O último cargo que consegui durou apenas dois dias. A empresa disse que ia fazer uma experiência e eu dei tudo de mim. Fiquei com esperança de conseguir o trabalho, mas durou pouco. Saí de lá quase chorando”, conta Paulo. Ao ver o desânimo e a tristeza do pai, Carolina teve uma ideia inusitada. Ela criou o site www.meupainaomereceumemprego.com.br, onde pede uma segunda chance a Paulo. “Eu não aguentava mais ver o sofrimento dele. Um dia cheguei em casa e vi ele tão magrinho que decidi fazer alguma coisa”, relata. Com a ajuda de colegas da agência em que trabalha, a designer construiu a página e começou a divulgá-la na última terça-feira. “Já tem mais de 5.000 acessos”, comemora. “Eu achei lindo. Foi uma demonstração de amor mesmo”, se derrete Paulo,ao falar da iniciativa da filha única. “Ela anda muito preocupada, ainda mais agora que o dinheiro que eu tinha guardado acabou”, conta o projetista que pagava parte das contas com a renda da venda de um lote no interior.

Ele chegou a pedir a filha, que saiu de casa há três anos, para guardar o montante em uma poupança, porque se considera um “mão-aberta”. Porém, o dinheiro não resistiu aos nove meses de desemprego. “Agora a gente sobrevive com o salário da minha esposa que trabalha como funcionária pública. Só que o dinheiro é muito apertado. Nunca pensei que fosse demorar tanto pra achar um trabalho”, lamenta. Mas parece que a maré de azar de Paulo está mudando. Graças ao site, muitos interessados já entraram em contato com ele e com a filha. “Ainda não tem nada de concreto, mas fico muito feliz em saber que está dando certo. Essa semana mesmo, meu pai vai conversar com algumas empresas que já se manifestaram”, comemora Carolina. “Eu adoro trabalhar. Só quero voltar ao mercado”, deseja Paulo. RETRANCA A apresentação da página www.meupainaomereceumemprego.com.br já surpreende por revelar a intimidade da relação entre pai e filha, que nunca chegou a ser um mar de rosas. “Uma das últimas brigas que tive com o meu pai foi em função da teimosia dele. O Autocad chegou na vida de todos os projetistas depois de décadas de colunas curvadas sobre pranchetas. Então, recorrentemente, meu pai reclama de dor nas costas (...). Nos últimos tempos, mesmo desempregado e sem projetos como freelancer, meu pai cismou de trabalhar em casa, 'porque cabeça vazia é morada do diabo', segundo ele”, descreve Carolina Furtado, em um textos da abertura. Além da obstinação, os conflitos da designer com Paulo pretendem mostrar a ética e a coerência do pai, que segundo ela mesma, podem fazer com que ele ganhe uma colocação no mercado. “Se você leu a história toda, pôde perceber que meu pai tem valores muito bacanas (...). Aí vai um spoiler:sua expectativa não morre no final. O cara é bom mesmo.”, completa Carolina. O site www.meupainaomereceumemprego.com.br ainda tem espaço para o currículo de Paulo Furtado, o perfil dele no Linkedin (rede social destinada ao mercado de trabalho) e um canal de contato.

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