O injustiçado

iG Minas Gerais | Victor Martins |

João Ferreira, ou simplesmente Bigode, foi o primeiro mineiro nascido em Belo Horizonte a disputar uma Copa do Mundo. E foi logo a de 1950, a primeira que o Brasil recebeu. O lateral-esquerdo foi um dos protagonistas naquele domingo à tarde, no Maracanã, em que a seleção brasileira perdeu para o Uruguai, por 2 a 1, de virada, no dia 16 de julho.

Bigode morreu em julho de 2003, sempre afirmando que não levou um tapa no rosto, dado por Obdúlio Varela, o capitão uruguaio no Maracanazo. Para torcedores e cronistas que estavam no estádio, aquele ato seria um sinal de acovardamento do time brasileiro. Mas não só Bigode, como outros jogadores que estiveram em campo, inclusive o próprio Varela, sempre afirmaram que nunca existiu o suposto tapa.

Mesmo assim, Bigode jamais conseguiu se livrar da culpa colocada pelo público. Anos depois da final, o lateral-esquerdo sempre ouvia na rua que era um dos culpados pelo fracasso brasileiro em 1950. “O que fizeram comigo foi uma covardia, uma injustiça. Não levei tapa do capitão do Uruguai”, afirmou.

Além do suposto tapa, para a torcida que esteve no Maracanã naquela final, Bigode também teria falhado no segundo gol de Ghiggia. Para muitos, ele foi driblado por duas vezes antes do chute. Algo que também sempre negou.

Bigode afirma que correu atrás de Ghiggia para cobrir um companheiro que deveria estar por ali. Educado, ele jamais revelou quem falhou no segundo e fatal gol dos uruguaios. Mas o fato é que ele não alcançou o camisa 7 uruguaio. “Aquele gol foi um acidente, ele chutou grama”, dizia Bigode, que, de tão fraca a bola, virou as costas, tendo certeza de que o goleiro defenderia. Tanto que nem viu o trágico gol.

Campeão em Minas e no Rio Bigode começou a carreira na terra natal, no Sete de Setembro, mas o destaque veio quando chegou ao Atlético, em 1940. Pelo Galo, atuou por quase três anos e conquistou dois títulos estaduais, em 1941 e 1942. Depois, Bigode foi contratado pelo Fluminense, clube que mais defendeu na carreira. Pelo Tricolor, ele conquistou apenas o carioca de 1946 e uma Copa Rio, em 1952. Mas o grande desempenho em campo o tornou um jogador da seleção brasileira: ele foi campeão sul-americano em 1949 e titular na Copa do Mundo do ano seguinte. Bigode encerrou a carreira em 1956, pelo Fluminense. Antes, porém, ele jogou por duas temporadas no Flamengo, em 1950 e 1951.

Justiça. O lateral brigou na Justiça pelo prêmio, mas não conseguiu. A marca de refrigerante alegou que teve prejuízo com a derrota brasileira

Apartamento. Bigode ganhou um apartamento antes da Copa do Mundo, dado por uma empresa. No entanto, o prêmio foi negado depois da derrota na final

Concentração. Bigode lamentou muito a saída de um lugar tranquilo, no bairro do Joá, e a ida para São Januário. Além do barulho, ele ficava o dia inteiro tirando fotos com políticos

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