Ir à área hospitalar demora mais

Usuários de nova linha troncal reclamam que tempo gasto de casa à região dos hospitais aumentou

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Dificuldade. Próximo a uma das bilheterias, multidão se aglomerava para passar pelas três catracas em funcionamento no piso inferior
FERNANDA CARVALHO / O TEMPO
Dificuldade. Próximo a uma das bilheterias, multidão se aglomerava para passar pelas três catracas em funcionamento no piso inferior

Acordar meia hora mais cedo que o habitual para chegar em tempo ao serviço não tem adiantado para muitos moradores da região da Pampulha e do vetor Norte de Belo Horizonte. Desde nessa segunda, primeiro dia útil do Move (nome dado ao BRT da capital) da avenida Antônio Carlos, usuários da nova linha troncal 51 (Estação Pampulha/Centro/Hospitais Paradora) reclamam que o tempo gasto de casa à área hospitalar tem sido maior que antes. Revoltados, muitos pedem a criação de uma linha direta. No entanto, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) não se posiciona claramente sobre a demanda.

Em vez de os usuários irem direto para a área hospitalar, como faziam quando usavam as linhas semi-expressas – extintas para dar lugar às novas alimentadoras –, eles são obrigados a fazer a baldeação na Estação Pampulha e a parar em 18 pontos, o que torna o trajeto mais demorado para muitos. A reportagem solicitou à BHTrans os itinerários das linhas extintas para comparar a quantidade de paradas no caminho, mas foi informada de que “os trajetos não estão mais disponíveis, uma vez que o serviço não é mais ofertado”. Quem sentiu na pele a mudança relata pioras. É o caso da faxineira Cristine Camila de Oliveira, 42, que costumava gastar 40 minutos indo direto de sua casa, no bairro Jardim Leblon, em Venda Nova, até a área hospitalar, pela linha 2212 B, e agora, com o Move, leva uma hora e dez minutos. “Antes estava ruim, mas agora ficou pior”. Sua colega Cleunice Ferreira Gomes da Silva, 47, também estava insatisfeita. “Antes a gente tinha opção, mas agora é obrigado a pegar dois ônibus. Ficou tudo uma porcaria”. Trajeto. Na manhã dessa terça, a reportagem de O TEMPO acompanhou uma viagem da linha 51, da Estação Pampulha à região hospitalar, em percurso de 41 minutos, com início às 7h21. Embora a aquisição dos bilhetes tenha sido mais rápida que no dia anterior, antes das 7h já havia bastante tumulto no acesso à plataforma de embarque do Move. Próximo à bilheteria do piso inferior, uma multidão se aglomerava para conseguir passar pelas três catracas em funcionamento. Vencida essa etapa, a luta continuava com a chegada de cada novo veículo, em intervalo médio de sete minutos. Em determinado momento, passageiros revoltados começaram a bater nas portas de um ônibus da linha 51 que acabara de estacionar, gritando para que o motorista abrisse logo o veículo. A disputa pelos assentos era grande, e quem não tinha tanta sorte se espremia em pé. Instantes depois, uma cena que usuários do metrô da capital já estão acostumados se repetiu: com força, um homem empurrava os passageiros para dentro do ônibus para permitir que as portas se fechassem.

Saia mais

Lotação. Muitos usuários reclamaram nessa terça que ônibus do Move têm circulado lotados. Em resposta, a BHTrans informou que monitora a operação, “para fazer os ajustes que se fizerem necessários”. Intervalos. Alguns passageiros questionaram que o tempo entre uma viagem e outra tem sido longo no horário de pico. Em nota, a BHTrans informou que, para identificar a necessidade de reforço, as linhas são monitoradas. Catracas. Usuários questionaram a existência de poucas catracas na Estação Pampulha. A BHTrans alegou que o local recebeu, nessa terça, seis novos equipamentos. Linha 51. Passageiros pediram expansão da linha 51, que terá o número de viagens aumentado, segundo a BHTrans. No entanto, a autarquia não adiantou detalhes sobre uma linha direta à região hospitalar – outra demanda de usuários – e informou que novas etapas do Move “serão divulgadas nas próximas semanas”.  

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