Apertem os cintos, o motorista sumiu

iG Minas Gerais |

Se ainda não temos a certeza sobre qual matriz energética o mundo sobre rodas adotará em um futuro breve – se os motores continuarão a ser a combustão ou elétricos, híbridos ou se será a célula de combustível que moverá o planeta –, outra preocupação ocupa a cabeça de engenheiros e cientistas. Para daqui a seis anos, exatamente em 2020, duas montadoras europeias, a Mercedes-Benz e a Volvo, projetam colocar nas ruas automóveis que dispensam o motorista para serem conduzidos. Parece coisa de ficção científica, que teria a telona como melhor palco para ganhar notoriedade. Mas, por mais inusitada que possa parecer, essa ideia é a pura realidade. A novidade fará com que o sistema da Volkswagen, que se chama Park Assist e que permite estacionar sem interferência do condutor, pareça coisa da idade da pedra. Exageros à parte, mesmo embrionária do ponto vista comercial, a novidade é levada e muito a sério por esses gigantes tradicionais da indústria automotiva. Na sueca Volvo – empresa que tem, hoje, como acionista majoritária a chinesa Geely –, o projeto ganhou o nome de “Drive Me” e, quando estiver em pleno funcionamento, cem unidades dos modelos V60 e S60, equipadas com a tecnologia, serão cedidas para moradores da cidade de Gotemburgo, na Suécia. Mas para se candidatar a ser um dos escolhidos para receber em comodato o carro que anda sozinho, o contemplado terá que concordar com uma série de condições, entre elas percorrer cerca de 50 km por um trajeto pré-determinado, que inclui vias comuns e rodovias. O objetivo da Volvo é analisar como os modelos se comportam em todos os tipos de situação e colher dados sobre a eficiência do tráfego, a segurança rodoviária e a confiança do consumidor. Mas também os alemães da Mercedes estão de olho no futuro. No ano passado, a montadora iniciou um projeto semelhante ao utilizar o protótipo do carro mais sofisticado da linha, o S500, que recebeu a alcunha de “Intelligent Drive”, para percorrer os 100 km entre as cidades de Mannheim e Pforzheim, na Alemanha, sem que o motorista tivesse que, em momento algum, interferir. Mas outros fabricantes como Nissan, Ford e Audi também caminham nesse sentido e esperam que, até o fim da década, seus modelos possam estar em estágio de pleno uso. E no Brasil? Para os que pensam que estão engatinhando no tema é bom saber que por aqui estamos testando o Carina. Nome feminino para identificar o Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma que está sendo desenvolvido pelo laboratório de robótica móvel, da USP, em uma unidade em São Carlos, interior de São Paulo. E não começou ontem. Em 2010, o Carina 1 fez sua estreia em testes de condução autônoma no Campus 2 da USP/SC. Desde então, foram obtidos diversos resultados práticos nas áreas de navegação robótica, visão computacional, fusão de sensores e controle, dentre outras. Um ano depois, o projeto evoluiu, e o Carina 2 entrou em operação para novas avaliações. O modelo é um Fiat Weekend Adventure, com câmbio Dualogic, que, em testes realizados nas ruas do campus, mostrou capacidade de rodar com controle 100% autônomo. Esses testes representaram um passo importante para a pesquisa nessa área no Brasil. Ainda é prematuro qualquer comentário analítico sobre a questão da viabilidade do carro que não necessita de motorista. Os centros de pesquisa seguirão procurando alternativas, sobretudo com vistas a abaixar o alto custo de hoje para que se torne uma realidade termos nos carros apenas passageiros.

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