'Paralisação de ônibus em São Paulo é injustificável´, diz Haddad

Prefeito de São Paulo afirmou ainda que irá acionar Ministério Público para que o órgão abra um inquérito civil para apurar as motivações e quem promoveu o movimento

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Haddad diz que paralisação de ônibus em São Paulo é 'injustificável'
MARCELLO CASAL JR./AGÊNCIA BRASIL
Haddad diz que paralisação de ônibus em São Paulo é 'injustificável'

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse na noite desta terça-feira (20) que o protesto e paralisação de motoristas e cobradores de ônibus é "injustificável, inadmissível". Ele disse ainda que vai acionar o Ministério Público para que o órgão abra um inquérito civil para apurar as motivações e quem promoveu o movimento.

Haddad afirmou que a SPTrans foi acionada e iniciou na noite desta terça uma ação para tentar remover os vários ônibus que fecham vias importantes da cidade. Ainda segundo o prefeito, a prefeitura estuda também acionar as polícias Civil e Federal para que possam tomar medidas penais contra os manifestantes.

O protesto de motoristas e cobradores teve início pela manhã e levaram ao fechamento de 15 terminais de ônibus. São eles: Amaral Gurgel, Barra Funda, Bandeira, Butantã, Cachoeirinha, Casa Verde, Dom Pedro, Lapa, Mercado, Santana, Sacomã, Pirituba, Pinheiros, Princesa Isabel e Varginha. O terminal Santo Amaro funciona parcialmente.

Com isso, a CET suspendeu o rodízio de veículos, que impediria a circulação de veículos com placas de final 3 e 4 no período das 17h às 20h. A cidade teve trânsito recorde às 19h, quando eram registrados 261 km de lentidão, superando o recorde anterior, de 258 km de congestionamento, registrado em 17 de abril, às 17h30.

O prefeito afirmou em coletiva que não sabe como começou o protesto de motoristas, nem quem está organizando, e destacou que a prefeitura foi surpreendida pelo ato. "Esse tipo de sabotagem é difícil de prever", havia afirmado mais cedo o prefeito em entrevista à TV Bandeirantes.

Protesto

Segundo o sindicato da categoria, trata-se de um protesto de um grupo dissidente que não concorda com o acordo salarial fechado com as empresas de ônibus. A proposta acordada com as companhias prevê um reajuste salarial de 10%, além de aumento nos valores do vale-refeição e na participação nos lucros.

"A gente conseguiu uma luta que vinha realizando há mais de 10 anos, que é a insalubridade e o direito dos trabalhadores se aposentarem aos 25 anos de trabalho. Isso é uma conquista de 10 anos. A categoria teve o direito reconhecido. Além disso, tivemos 10% de aumento, o ticket foi para R$ 16,50, a nossa cesta básica que era fornecida pelas empresas de péssima qualidade será melhorada", afirmou Francisco Xavier da Silva Filho, diretor-executivo do sindicato dos motoristas.

Atualmente, o piso salarial de motoristas é de R$ 1.955, e o de cobradores, R$ 1.130. A proposta de reajuste salarial foi aprovada pela categoria em assembleia nesta segunda-feira (19). Os manifestantes pedem um reajuste de pelo menos 33%, vale refeição de R$ 22 --atualmente o valor é de R$ 15,30-- e melhorias na cesta básica e plano de saúde da categoria.

"A gente fez uma paralisação sem líder, começamos aqui [largo do Paissandu] e automaticamente foi tudo parando, se avisando por telefone, porque tá todo mundo insatisfeito. Todos pela mesma causa. A gente quer 33% de reajuste salarial, R$ 22 de ticket, R$ 1.500 de PL [participação nos lucros], melhores condições de trabalho, uma cesta básica decente, carga horária ajustada para fazer os percursos das viagens, convênio médico melhor porque o nosso é pior do que hospital público", diz Sidney Santos, 29, motorista e manifestante.

Com Folhapress 

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