Médicos anunciam paralisação na cidade

Categoria cobra 37% de reajuste do salário-base e realização de concurso público imediato para preencher vagas de não concursados

iG Minas Gerais | Evandro Teles/ José Augusto |

Servidores da Saúde decidiram continuar a greve por tempo indeterminado
Nelson Batista
Servidores da Saúde decidiram continuar a greve por tempo indeterminado

Os médicos de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, anunciaram uma paralisação de 48 horas que começa valer a partir das 7h de hoje. Segundo a categoria, apenas casos de urgência e emergência serão atendidos nas unidades, que funcionarão com escala mínima. Há algumas semanas, os usuários de Betim já estão sofrendo com a demora no atendimento nas unidades devido à greve dos servidores municipais da saúde, que começou no dia 30 de abril. Agora, com a paralisação dos médicos, a situação pode ficar ainda pior. 

Segundo diretor do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), César Santos, a prefeitura ignorou as reivindicações da categoria e ofereceu um reajuste que não cobre nem a inflação do período. “A situação do médico de Betim é grave. Para se ter uma ideia, eles recebem apenas 61% do salário pago ao profissional da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) e 76% do valor recebido pelos servidores da Prefeitura de Belo Horizonte. Na verdade, esse reajuste aprovado de 7%, se for levado em conta o parcelamento proposto, dá um ganho real de pouco mais de 5%, ou seja, não dá para repor nem a inflação”, explicou o diretor do Sinmed-MG.

Santos lembra que a saúde em Betim passa por graves problemas, como um processo crescente de terceirização dos serviços. “Os médicos concursados hoje representam apenas menos da metade dos profissionais que atuam no município. Nas unidades básicas de saúde (UBSs), apenas dez equipes do programa de estratégia da saúde da família contam com médicos concursados. Os demais são provenientes de programas, como o Mais Médicos e Provab (Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica), que alocaram mais de 70 profissionais”, afirmou.

Além do salário defasado, o diretor do Sinmed-MG revelou que a categoria sofre com a falta de segurança nas unidades, com registros recentes de agressões por parte da população, que sofre sem atendimento. “Médicos são impedidos de irem embora ao fim de sua jornada do trabalho quando, por algum motivo, acontece a falta do profissional que iria substituí-lo. Também convivemos com a precariedade da estrutura em diversas unidades de saúde”, completou Santos. O Sinmed-MG cobra um reajuste de 37% no salário-base e a realização imediata de concurso público para preenchimento de todas as vagas ocupadas por médicos não concursados, entre outras reivindicações. “Se não formos ouvidos após essa paralisação de advertência, vamos exercer outras formas de pressão tão eficazes para que sejamos ouvidos pela prefeitura”, acrescentou o diretor.

Greve Os servidores da Saúde da cidade decidiram, em assembleia realizada ontem, manter a greve por tempo indeterminado. Segundo o vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Seguridade Social da Sáude, Reginaldo Tomaz Silva, outras reivindicações ainda não foram discutidas com a prefeitura. “O governo não quer negociar. Inclusive, ele entrou na Justiça para colocar a greve como ilegal, mas o juiz indeferiu. Queremos terminar o movimento, mas com essa postura da prefeitura, não tem como”, concluiu. 

Resposta Em nota, a prefeitura informou que permanece com o índice de 7% de recomposição salarial para o servidor público municipal, conforme o projeto de lei que foi aprovado pela Câmara Municipal. O índice será escalonado em duas parcelas, sendo 3% em maio, retroativo a abril, e 4% em agosto. Entretanto, a administração não informou se continua a negociar outros pontos das reivindicações dos sindicatos. 

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