Com início do Move, motoristas andam a 10 km/h na pista mista

Principal problema para condutores foi dividir espaço com 191 ônibus convencionais por horaLigado a grupos religiosos, parlamentar diz que tecnologia é sinal do “fim dos tempos”

iG Minas Gerais | bernardo miranda e luiza muzzi |

Parado. Trânsito ficou complicado ontem no corredor da Antônio Carlos
Alex de Jesus
Parado. Trânsito ficou complicado ontem no corredor da Antônio Carlos

Os motoristas da região da Pampulha e do vetor Norte de Belo Horizonte começaram nesta segunda a enfrentar o “purgatório” anunciado pelo presidente da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Ramon Victor Cesar. Com o início da operação do Move (BRT) no corredor da Antônio Carlos e a consequente volta de 191 veículos/hora durante o horário de pico para a pista mista, o primeiro dia útil foi de congestionamento ao longo de toda a avenida e impacto em outras vias, como a Pedro I e a Cristiano Machado. Quem optou pelo Move enfrentou ônibus lotados. Na pista mista, os carros ficaram praticamente parados, com velocidade média da Estação Pampulha até o centro de 10 km/h. No trecho mais problemático, da estação até a UFMG, a média foi ainda mais baixa, de 5,4 km/h.

A reportagem de O TEMPO fez o trajeto do bairro Santa Amélia, na região da Pampulha, até o centro da capital e gastou 1h11 para percorrer 11 km, de carro, na manhã desta segunda. A média de velocidade em todo o percurso foi de 10km/h, sendo que entre a barragem da Pampulha e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi registrada a maior retenção. Nesse trecho, para percorrer 2 km, foram precisos 22 minutos. Apenas da Estação Pampulha até o centro, foram gastos 46 minutos. O mesmo percurso, da estação ao centro, foi feito pela reportagem de Move, com a linha direta, que não para nas estações de transferência ao longo do corredor. Com ele, na pista exclusiva, no mesmo horário, a viagem foi bem mais rápida, em 15 minutos. Os problemas foram os veículos lotados e a falta de estrutura na estação. Vai continuar. O principal causador do congestionamento foi a volta dos ônibus para a pista mista. Antes eles andavam na pista exclusiva. A BHTrans, em nota, reconheceu o transtorno e admitiu que ele deve continuar nas próximas semanas. A empresa, no entanto, prometeu melhorias, com a extinção de algumas linhas e a integração de outras ao Move. Dos 191 veículos/hora hoje na pista mista, 86 devem sair, o que significa que 47% dos ônibus municipais deixarão a pista mista. Enquanto isso, os usuários e motoristas reclamaram do serviço. Foi o caso do mecânico Luiz Carlos Nogueira, 45, que saiu de Santa Luzia, na região metropolitana às 6h, e às 8h10, ainda estava na altura da barragem da Pampulha. “Isso não é o purgatório, é o inferno. Está muito pior o trânsito, e duvido que vá melhorar tanto assim”. Já o motorista Caio César, 21, culpa a Copa pelos transtornos. “O trânsito aqui era melhor antes desse monte de obra para a Copa”.

Entenda Purgatório e paraíso. Na última quarta-feira, em entrevista para apresentar o Move da Antônio Carlos, o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, disse que os transtornos dos motoristas nesta semana seriam “a passagem no purgatório para se chegar ao paraíso”. Prazo. No mesmo dia, o presidente afirmou que os transtornos seriam maiores ao longo de três semanas. Nesta segunda, a BHTrans informou que monitora a situação e pode intervir caso haja necessidade, como no caso da superlotação dos ônibus.

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