Carreira de artista é fortemente marcada por temas religiosos

Embora seja conhecido por seus papéis na TV e no cinema, ator veio do teatro

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Cena de “Paraíso Perdido”, do Teatro da Vertigem, de São Paulo
GUTO MUNIZ/DIVULGAÇAO
Cena de “Paraíso Perdido”, do Teatro da Vertigem, de São Paulo

Quem teve a sorte de assistir à Trilogia Bíblica – composta pelos espetáculos “O Paraíso Perdido”, “O Livro de Jô” e “Apocalipse 1,11” – do grupo Teatro da Vertigem de São Paulo e dirigidas por Antônio Araújo, pôde conferir Matheus Nachtergaele dar vida a temáticas religiosas com uma virulência impressionante. Para azar de quem não assistiu, o grupo não apresenta mais esses espetáculos e Nachtergaele não faz mais parte do coletivo. Os temas religiosos sempre foram recorrentes nos espetáculos que o ator levou aos palcos. Pois ele não foge à regra em sua primeira direção para o teatro, “O País do Desejo do Coração”, texto de William Yeats, que está em processo de criação com o grupo Entre&Vista, de Tiradentes, onde um ensaio aberto será apresentado no sábado. “A temática religiosa me acompanha. No Vertigem, grupo do qual eu sou um dos fundadores, participei da trilogia. Tem também o ‘Auto da Compadecida’ (série de TV que virou filme), o padre Miguel de ‘A Muralha’. Até na novela ‘A Cor do Pecado’, eu fazia um pai de santo”, relembra o ator. A nova montagem em Tiradentes possibilitou a Nachtergaele retomar sua trajetória com o teatro. “É uma forma de relembrar esse ofício do ator de teatro. Durante muito tempo, eu me dediquei ao cinema e à televisão. Ao dirigi-los, eu vou lembrando do que um ator precisa. Eu gosto de dirigir também, dirigi na escola, no cinema e dirijo shows de amigos e até um espetáculo de dança super bonito, chamado ‘Gema’”. Além disso, Tiradentes é um lugar especial para ele, que há oito anos é dono de uma casa no centro histórico da cidade. “Dizem que quem bebe a água da fonte, sempre volta. Pois eu devo ter bebido muito dessa água. Desde estudante, gostava de vir. Com o passar do tempo, surgiu a possibilidade de comprar essa casa, mais barata porque não tinha encanamento e nem ligação elétrica. Aos poucos, ela foi reformada e hoje venho sempre que posso, menos do que gostaria”, lamenta. Mergulhado na montagem do espetáculo, Nachtergaele está em Tiradentes há um mês e espera assim ficar pelos próximos dois, “longe do fuzuê da Copa do Mundo”. Ele espera que seu trabalho seja bem-recebido pelo público. “Estamos excitados e assustados. Buscamos trabalhar com o que é essencial, dito com sinceridade, mas ao tempo encantador. Que, no mínimo, seja delicado e que o público receba esse trabalho como uma oração”, finaliza o artista.

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