Cerâmica e versatilidade criativas

Rachel Rabello mostra nova coleção de peças concebidas com diferentes técnicas a partir de hoje na Francino

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

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Extrair formas da argila bruta faz parte do ofício de Rachel Rabello desde 1996, quando ela começou a se dedicar à cerâmica. Especialista na técnica de queima Raku, de origem japonesa, a artista apresenta cerca de 200 novas peças criadas nesse processo e em outro, envolvendo a finalização em forno elétrico, a partir de hoje, na loja Francino.

“Diferentemente da porcelana em que você pode comprar uma peça branca e trabalhar sobre ela, a cerâmica nos permite várias caminhos com apenas uma única massa de argila. É possível extrair dela a criação que você imaginar e quiser. Eu mesma trabalho com um oleiro que me ajuda a concretizar tudo que desenho no papel”, pontua Rachel Rabello.

Aluna de conhecidas ceramistas, como Erli Fantini e Sônia Toledo, Rachel diz ter se interessado pelo método Raku – que consiste no aquecimento do material em forno, seguido da cobertura com serragem, provocando sobre ele um tipo combustão instantânea –, pelo modo como ele, por meio dessas etapas, consegue produzir obras únicas.

“Logo depois que as peças pegam fogo, eu tampo o forno por alguns minutos. Neste momento, vem a impressão sobre a superfície delas, de desenhos e marcas que não se repetem, apresentando um visual craquelado. Já com o forno elétrico, eu consigo outros efeitos, com argilas coloridas que ganham um aspecto esmaltado”, explica Rachel.

A mostra, de acordo com ela, exibe trabalhos diversos, como criações decorativas e utilitárias, entre outras. Grande parte, revisita um acervo de 1.300 cerâmicas já criadas pela artista desde 1996. “Essa coleção exibe algumas releituras porque estou retornando ao início dessa história, ou seja, eu retomo algumas criações mais antigas com outra roupagem. Nas mais recentes, eu experimento, por exemplo, aplicar uma cor nova e ainda não utilizada em qualquer outro objeto”, acrescenta.

Comparada à sua familiaridade com o procedimento Raku, o uso do forno elétrico, segundo Rachel, é mais recente no seu ofício. No entanto, com esse equipamento, ela tem feito descobertas que aos poucos a estimulam a incorporar outras maneiras de moldar a argila.

“Eu descobri um universo de materiais coloridos que tem aberto um outro campo de atuação para mim. Como elas recebem um tratamento diferente do Raku, o resultado visual é outro e isso é algo muito estimulante. O que me move no segmento da cerâmica é justamente essa possibilidade de renovação, encontrando pigmentos e insumos novos”, afirma.

“É provável que em breve eu procure somar outro tipo de técnica. Isso é importante porque traz outras qualidades ao trabalho, evitando que ele se apresente como algo repetitivo”, observa.

  • Agenda
  • o quê. Exposição de cerâmicas de Rachel Rabello
  • quando. De hoje a 18/6, de 2ª a 6ª, das 10h às 19h; sáb., das 10h às 13h
  • onde. Loja Francino (rua Marília de Dirceu, 240, Lourdes)
  • quanto. Entrada franca
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