Reserva de energia da Cemig garante lucro 44% maior

Estratégia de comprar barato e vender caro assegurou ganho

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Operação, Segundo o diretor Luiz Fernando Rolla destaca, sem a estratégia Cemig teria tido prejuízo
Rodrigo Lima/26.7.2013
Operação, Segundo o diretor Luiz Fernando Rolla destaca, sem a estratégia Cemig teria tido prejuízo

Em abril, a Cemig apresentou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) uma proposta para reajustar a conta de luz em 29%, alegando aumento nos custos. A agência autorizou 14,25%. Mesmo com reajuste menor do que o esperado, a companhia aumentou a receita o suficiente para conseguir lucrar 44% a mais no primeiro trimestre, alcançando a cifra de R$ 1,25 bilhão. A geração de caixa foi de R$ 2,1 bilhão. Entretanto, o diretor de Relações com Investidores, Luiz Fernando Rolla, afirma que os gastos da empresa aumentaram sim e, o ganho só foi possível devido à estratégia de fazer uma reserva de energia. “Há três anos, compramos a um preço mais barato e nos preparamos para a volatilidade”, explica Rolla.

Hoje, com os níveis dos reservatórios em baixa, quem tem energia para vender consegue preços maiores. E foi isso o que aconteceu com a Cemig. Em 2012, ela comprou 600 MW. Cada Mwh custou cerca de R$ 100. Neste ano, ela vendeu cada Mwh por R$ 300 em janeiro e, em fevereiro e março, por R$ 800. A operação rendeu cerca de R$ 820 milhões. Sem essa estratégia, a receita da companhia, que foi de R$ 4,7 bilhões, teria sido de R$ 3,88 bilhões. Sem essa estratégia, ao invés de crescer 29,45%, teria crescido apenas 5,6% frente aos R$ 3,67 bilhões do primeiro trimestre de 2013. De janeiro a março de 2014, a Cemig vendeu 7,75% a mais de energia.

“Se a Cemig fosse só distribuição e não tivesse geração, teríamos ficado no prejuízo”, avalia Rolla. Além dos ganhos com a comercialização de energia, ele também ressaltou a importância das aquisições, para ampliação da rede.

Rolla explica ainda que, se não fosse os subsídios do governo, o repasse à conta do consumidor final teria sido muito maior. Da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) vieram R$ 836 milhões para compensar aumento nos custos com a compra de energia para a revenda. “É importante ressaltar que a Cemig não pede reajuste, ela apresenta uma planilha de gastos para a Aneel. E ele caiu de 29% para 14,25% porque a própria Aneel fez uma revisão nos custos”, justifica Rolla.

Jaguara

Confiante. Um pedido de vista no STF suspendeu o julgamento para saber se a Cemig pode prorrogar a concessão da usina de Jaguara. O diretor Luiz Fernando Rolla diz que está confiante.

Leilões devem ampliar oferta até 2018 São Paulo. Um estudo em fase de elaboração pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica que os leilões de geração previstos entre 2014 e 2018 devem resultar na contratação de 38.269 MW de energia elétrica durante o quinquênio. A maior fatia, segundo o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, virá de projetos hidrelétricos, com um total de 14.679 MW. Na sequência aparecem projetos eólicos, com um total de 9.000 MW, e projetos térmicos. Há ainda a previsão de projetos solares (3.500 MW).  

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