Incentivo ao uso de energia fora do pico evitaria apagão

Cemig culpa Inmetro por atraso na certificação de medidores de tarifação diferenciada

iG Minas Gerais | Queila Ariadne |

Conta. Antenor Lima calcula que economia pode chegar a 20%
JAQUES DIOGO / -7/05/2014
Conta. Antenor Lima calcula que economia pode chegar a 20%

Os reservatórios de água do Brasil nunca estiveram em níveis tão baixos. Essa preocupação transborda para o abastecimento de luz, já que 70% da matriz energética brasileira é hidrelétrica e a geração depende das águas. Os próprios consumidores podem fazer sua parte, mudando os hábitos. E até já existe um jeito de incentivar essa economia, cobrando mais caro do consumidor em horários de ponta para desafogar o sistema.

Esse jeito se chama Tarifa Branca, que está aprovada pela Aneel desde 2010 e deveria ter entrado em vigor em abril deste ano. Mas, de acordo com o gerente de Tarifas da Cemig, Ronalde Xavier Moreira Junior, o processo ainda vai demorar porque o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) não cumpriu os prazos de certificação do medidor elétrico necessário para implantar o sistema.

Este, por sua vez, culpa os fabricantes. Em nota, esclarece que a partir da Resolução Normativa Nº 502, de 7 de agosto de 2012, pela Aneel, reformulou o regulamento do medidor de energia em apenas três meses. Mas só em fevereiro deste ano, os fabricantes começaram a apresentar modelos. No entanto, há algumas inconformidades que já estão em processo de análise para correção.

Hoje, só há uma Tarifa Convencional, cobrada para qualquer horário. A Tarifa Branca terá três valores: uma para o horário de pico (das 19h às 20h59), uma para o intermediário (das 18h às 18h59 e das 21h às 22h59), e outra para fora do pico (das 23h às 17h59). Os valores já estão inclusive previstos na Resolução 1.700/2014, que autorizou o reajuste da Cemig para este ano.

Segundo o consultor da Lima Soluções Energéticas, Antenor Lima, estimular o consumidor a deslocar seu consumo para fora do horário de pico pode gerar uma economia de até 20% na conta. “É bom para o usuário, que pagará menos e para a concessionária, que vai reduzir os investimentos”, afirma. A Cemig confirma que a alternativa reduzirá investimentos.

O especialista fez uma simulação considerando uma pessoa que distribui o uso de energia em 15% no horário de pico, 2% no intermediário e 83% fora do pico. “Pela convencional, ela pagaria R$ 395,42 por Mwh. Se reduzisse o uso de pico de 15% para 5%, e do intermediário de 2% para 1%, o custo do Mwh cairia para R$ 348,29, ou seja, 12% a menos. Quanto mais mudar, mais vai economizar. E isso pode ser conseguido com a mudança dos horários do banho, que é o que mais puxa energia”, explica.

Segundo ele, como o sistema já é utilizado hoje por consumidores de média e alta tensão, a aplicação para os usuários de baixa tensão não será complicada. “Os ganhos serão consideráveis, porque além das residências, hotéis e restaurantes serão estimulados a usarem energias alternativas, como a solar”, observa Lima.

Diferença

Entenda. A tarifa branca é a cobrança de uma tarifa mais cara no horário de pico e mais barata fora dele. As bandeiras tarifárias vão sinalizar se o consumo está alto ou baixo, a partir de 2015.

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