PSDB encolhe, PT envelhece

Sigla de Fernando Henrique Cardoso atrai cada vez mais pessoas com maior escolaridade

iG Minas Gerais |

Taxa de simpatizantes do PT foi a 34% durante campanha de 2002
Valdez Maranhao/divulgação - 21.3.2014
Taxa de simpatizantes do PT foi a 34% durante campanha de 2002

Brasília. Nas últimas duas décadas, PT e PSDB vêm assistindo a uma mudança no perfil de seus filiados/simpatizantes. Comparando as pesquisas do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) desde 1995, é possível perceber que o PSDB perdeu simpatizantes, enquanto os apoiadores do PT “envelheceram”.

Há 20 anos, quando o tucano Fernando Henrique Cardoso inaugurava a era do plano Real com inflação sob controle, 14% dos brasileiros manifestavam preferência pelo PSDB. Mas o número de simpatizantes está em processo de encolhimento contínuo desde 1995. Em 2002, a parcela era de 9%, e, atualmente, chega a apenas 5% dos brasileiros.

Nesse processo, os simpatizantes tucanos também ficaram menos concentrados na região Sudeste. Hoje, metade dos admiradores do PSDB está na região, que é a mais rica do país. Em 1995, no entanto, nada menos que 69% estavam no Sudeste.

Em termos de escolaridade, o eleitorado tucano se elitizou: 27% têm curso superior, e 21% até quatro anos de ensino. Em 1995, a proporção era de 13% e 34%, respectivamente.

Já o PT, há quase 12 anos na Presidência, continua sendo o partido com o maior número de simpatizantes, mas seus apoiadores “migraram” para o Nordeste, região onde nasceu o ex-presidente Lula, e envelheceram.

Na faixa de eleitores com até 24 anos, a preferência pelo partido permaneceu quase estável entre 1995 e 2002, por volta de 27%, e diminuiu para os 17% registrados atualmente. Entre os mais velhos (mais de 40 anos), a tendência foi inversa: aumentou de 25% para 38%. Com isso, os simpatizantes do PT se transformaram em um espelho quase perfeito do eleitorado como um todo. No Brasil, 39% dos eleitores têm até 44 anos, e 61% mais do que isso. Entre os petistas, os percentuais são 38% e 62%, respectivamente.

Há 20 anos, a sigla já era a preferida do eleitorado: 22% simpatizavam com o PT. A taxa subiu para 34% em agosto de 2002, quando Lula estava em campanha pela Presidência. Hoje, a parcela de simpatizantes engloba 21% dos brasileiros.

Região. No âmbito geográfico, o fenômeno do “espelhamento” se repete apenas parcialmente. Dos eleitores que preferem o PT, 43% estão no Sudeste, e 15% no Norte/Centro-Oeste – e é assim que os eleitores do país se distribuem nessas regiões.

No Nordeste, os simpatizantes do PT são 32%, enquanto a região abriga 26% dos eleitores. No Sul, é o contrário: os petistas são 9%, mas lá estão 15% dos eleitores. Em 1995, o Sudeste abrigava mais da metade dos simpatizantes petistas, e o Nordeste, apenas 24%.

Baixa-renda

Social. Há 20 anos, o PT era o partido preferido de 41% dos eleitores com renda acima de cinco salários mínimos. Hoje, apenas 11% dos brasileiros que ganham nesta faixa simpatizam com a sigla.

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