O ‘ouvinte’

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acir galvao
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O caminho lógico para José Perácio Berjun, nascido em Nova Lima, se tornar jogador de futebol era o Villa Nova, que, na década de 1930, era um dos times mais fortes do Estado, rivalizando com América, Atlético e o então Palestra Itália. Assim ele fez e se deu bem. Vestindo a camisa alvirrubra do Leão do Bonfim, Perácio conquistou quatro vezes o Campeonato Mineiro. Para Perácio, não bastava fazer o gol. Ele gostava mesmo era de ouvir os narradores gritarem seu nome ao balançar a rede.

Só para se ter uma ideia da importância dele para o Villa Nova, o clube da região metropolitana de Belo Horizonte tem cinco títulos estaduais, sendo que quatro foram conquistados no período em que José Perácio era um dos atacantes do time. Com seu gols, Perácio não conquistou apenas títulos, mas também prestígio e cobiça por parte dos dirigentes cariocas, o grande centro do futebol brasileiro na década de 30.

Assim, em 1937, ele já era jogador do Botafogo, clube que defendeu entre 1937 e 1940 e pelo qual foi convocado como titular da seleção para a Copa do Mundo de 1938. Dos cinco jogos do Brasil naquele Mundial, ele participou de quatro. Não jogou apenas na partida-desempate contra a Tchecoslováquia. Naquela época, não existia disputa de pênaltis. Em caso de empate, um jogo extra era realizado no dia seguinte. Por isso, os titulares foram poupados no segundo jogo, com exceção de Leônidas da Silva.

E Perácio teve importante papel no terceiro lugar conquistado pela equipe canarinho naquele Mundial disputado na França. Foram três gols marcados nos quatro jogos em que atuou. Foram dois diante da Polônia, na estreia e vitória brasileira por 6 a 5, e mais um diante da Suécia, jogo que terminou em 4 a 2 para o Brasil, na decisão do terceiro lugar.

Verdade?

Diz a lenda que Perácio, alvo de brincadeiras dos amigos, usou binóculos para tentar ver a linha do Equador quando o Brasil seguia de navio para jogar a Copa do Mundo de 1938, na França.

”Gooool”

Para ouvir os narradores gritando “gooool de Perácio”, ele deixava o som do carro, estacionado fora do estádio, no volume máximo, para tentar escutar durante as partidas. Mas nunca conseguia.

Superstição

Enquanto abastecia o carro num posto de gasolina, Perácio acendeu um cigarro e jogou o fósforo no chão, para desespero do companheiro Martim Silveira. Sem entender a reação do amigo, ele soltou: “Desculpa, não sabia que você era supersticioso”.

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