MacGyver resolve tudo na casa

Profissional remedia várias emergências: troca chuveiro, pinta, monta armário e faz horta ‘indoor’

iG Minas Gerais | Thais Pimentel |

Gambiarra em geral também é um serviço prestado por ele
DENILTON DIAS
Gambiarra em geral também é um serviço prestado por ele

O ator Gustavo Gonçalves Pacheco, 29, bacharel em interpretação teatral pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), se transforma em “MacGyver” nas horas vagas. “Quando se pensa em gambiarra, se pensa em “Profissão: Perigo”, relembra o artista, que promete remediar várias emergências domésticas. “Instalo varal, conserto torneira, troco chuveiro, monto armário, pinto parede e até faço hortas ‘indoor’ e ‘outdoor’”, conta.

O seriado dos anos 80 mostrava o personagem de Richard Dean Anderson escapando das mais malucas enrascadas, através de objetos inusitados. Em um dos episódios, MacGyver consegue fazer um carro funcionar novamente, consertando um furo no radiador com apenas água e alguns ovos (encontrados no galinheiro ao lado). Segundo ele, a clara, em contato com a água quente do radiador, entope o buraco, resolvendo o problema. Gustavo não fica atrás. “Já fiz massa com polvilho pra segurar vazamento, enquanto as peças da pia não chegavam”, revela.

O “faz-tudo” começou esse ofício há apenas dois meses, mas já atendeu dez clientes até agora. “Comecei ajudando os conhecidos. Aí um dia, fui montar um armário supercomplicado pra uma amiga e ela disse: “você podia ganhar dinheiro com isso”. A musicista Sabrina Tavares Silva foi a primeira cliente. “Ele veio aqui consertar a campainha. Até vou chamar ele de novo. Dessa vez, eu quero que ele instale um chuveiro pra mim”, conta. Sabrina também conhece os outros talentos de Gustavo. “Você precisa ver esse rapaz no palco. Ele é um excelente ator”, revela.

Segundo Gustavo, a prestação de serviços domésticos não é a principal fonte de renda. “Ainda tá começando. Cobro de R$40 a R$50 por visita. Aí, faço três trabalhos. Posso até fazer um a mais de graça, pra cativar o cliente. Porque o negócio é ganhar a confiança e ser recomendado. Não é fácil colocar um estranho dentro de casa para consertar suas coisas”, conta ele, que começou a divulgação através de cartazes, colocados em postes no bairro Carlos Prates, onde mora em uma casa, com um amigo brasileiro e três artistas chilenos.

Marido de Aluguel. Achar um “faz-tudo” não é muito difícil. Basta digitar “Marido de Aluguel”, outro nome do ofício, no Google para que dezenas de ofertas apareçam. Com a correria e a velha falta de habilidade, esse mercado tem crescido em Belo Horizonte. Josimar Simão é técnico em instrumentação eletrotécnica e já trabalhou em grandes empresas como Vale e Petrobras. Em 2004, desistiu do ramo e abriu a empresa “Marido de Aluguel em BH”. “Estava cansado de viajar por causa do serviço. Aí, percebi que havia falta de mão de obra no mercado pra serviços de eletricista e de bombeiro, e resolvi começar meu negócio”, conta ele, que tem um funcionário fixo e dois “freelancers”.

Já Cláudio Espínola ainda sonha com uma recolocação. Ele trabalhava em uma indústria, mas foi demitido por causa de uma crise na empresa. Desempregado, decidiu começar a cobrar pelos pequenos consertos que realizava. “Começou como um favor pra amigos. Agora que comecei a ganhar dinheiro com isso. Tem dado pra viver”, revela. Cláudio presta todo tipo de serviço doméstico: instala, desentope e conserta.

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