Em Córrego Fundo, não falta trabalho, e renda é equilibrada

Cidade é a primeira em MG e a nona do Brasil em igualdade social e PIB per capita; cal garante renda

iG Minas Gerais | Thaís Pimentel Especial para o Tempo |

Equidade. Alta concentração de fábricas de cal na região garante igualdade social na cidade
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Equidade. Alta concentração de fábricas de cal na região garante igualdade social na cidade

Córrego Fundo. “Todo mundo aqui tem sua casa, um carrinho na garagem. Não é nada de muito luxo, mas conforto não falta”. As palavras de Vicente “Nenê” Carlos, morador de Córrego Fundo, no Centro-Oeste de Minas Gerais, são evidências de uma cidade em que a diferença entre os mais ricos e os mais pobres é uma das menores no Brasil. A cidade é a nona mais igualitária do país, de acordo com o índice de Gini, que mede o nível de igualdade social, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Os 10% mais ricos da cidade, que tem 5.790 habitantes, ganham 4,9 vezes mais que os 40% mais pobres. No Brasil, essa diferença é 22,7 vezes maior.

Essa igualdade social pode ser explicada pela alta concentração de fábricas de cal na região. Nem o prefeito José da Silva Leão (PP) tem a noção exata de quantos empreendimentos estão instalados por lá. “São mais de cem, viu?”, garante. Segundo ele, 90% da população de Córrego Fundo trabalha na atividade. Os funcionários recebem uma média de R$ 1.600 por mês.

O último Produto Interno Bruto (PIB) do município, pesquisado em 2011 e divulgado ano passado pelo IBGE, foi o quarto da região calcária do Estado, com R$ 121,7 milhões. Mas quando o assunto é PIB per capita, Córrego Fundo aparece em segundo lugar, com R$ 20,8 mil por habitante, perdendo apenas para Pains. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), medido em 2010, foi de 0,678, maior que o da África do Sul (0,597), da Índia (0,519) e da China (0,663). “Quem não trabalha diretamente com a extração vive do dinheiro que ela traz pra cá”, disse Nenê, presidente da Cooperativa dos Produtores de Cal (Cooprocal), responsável pelo beneficiamento do calcário extraído por 28 cooperados.

Jovens. Segundo o IBGE, 1.742 pessoas têm carteira assinada na cidade. Por causa da oferta de emprego, os jovens preferem ficar lá. “Eu não penso em sair daqui. Vou prestar vestibular para pedagogia. Depois vou ser professora aqui em Córrego Fundo mesmo”, sonha Renata Mara Alves, 16.

A mãe dela, Maria do Carmo, que vendia roupas em casa, conseguiu abrir uma loja bem na praça principal, onde fica a matriz de São José. O policial florestal Carlos Henrique Silva garante que é uma cidade ideal para criar os filhos. “Para se ter uma ideia, a minha mulher é professora e trabalha do outro lado da rua. Ela pega serviço às 12h15 e sai de casa às 12h13”, brinca.

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