“Não sou heroína, só corajosa”

iG Minas Gerais |

Quando retornou à capital mineira, a enfermeira decidiu trabalhar no Instituto dos Bancários, onde permaneceu por pouco mais de dez anos. Novamente, uma convocação a fez mudar de emprego e voltar a ser enfermeira.

“O presidente Juscelino Kubitschek chamou para servir no Exército as enfermeiras que tinham ido para a guerra. Eu ia ganhar o dobro. Por isso, não tive dúvidas e aceitei. Eu era arrimo de família. Resolvi voltar à função e trabalhar no Colégio Militar em Belo Horizonte, onde permaneci por 16 anos”, recorda.

Quando completou 55 anos, a tenente Carlota foi para a reserva e continuou cuidando da família.

“Desde quando voltei da guerra, tomei conta da minha mãe, que veio de Salinas para morar na capital depois que meu irmão mais velho morreu, e também de um outro irmão, que era cego. Comprei uma casinha com minhas economias, local onde moro até hoje, no bairro Santa Efigênia. O dinheiro que ganhei serviu também para custear minhas viagens pelo mundo. Até os 85 anos, pegava meu carro, dirigia conhecendo os lugares mais longínquos do Brasil”, lembra com saudade.

Com lágrimas nos olhos, a tenente Carlota conta que o Exército sempre deu toda assistência de que precisou nessas últimas décadas. “Ele (o Exército) não cuidou só de mim, mas de toda a minha família. Sempre pagou tratamento caro para meus familiares, inclusive diárias de UTI e funerais. Hoje, só tenho uma irmã viva, que está com 93 anos, mas não anda bem de saúde. Além disso, já recebi várias homenagens. Eles me convidam para tudo”. E completou: “Não sou heroína de nada, apenas fui corajosa para enfrentar o mundo”. (FC)

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