“Sem apoio familiar e de profissionais, não damos conta”

Sandra Regina Pereira - Publicitária mãe de Vitor Caetano Pereira da Silva, 8

iG Minas Gerais |

Quais os principais desafios dos pais de filhos com TDO? É conseguir se controlar quando ele está descontrolado. É ter paciência e paciência. Esquecer aquele modelo que nos passaram do bom filho desde quando você era pequena e aceitar as limitações do seu filho. É aprender a amar sem esperar nada em troca. É viver cada dia e comemorar com ele cada vitória.

Como chegou ao diagnóstico preciso? É complicado porque não é uma doença comum, mas um problema emocional. Não demorou muito porque ele já fazia terapia devido a um acidente que tivemos. Mas só a psicóloga era pouco, era preciso entrar com medicação para ajudar a acalmá-lo. Foram vários psiquiatras até conseguir um que entendesse do assunto e passasse medicação eficaz. Aproveito para fazer um alerta: dificilmente antes dos 6 anos dá para chegar a um diagnóstico do transtorno. Os pais devem ter cuidado com diagnósticos precoces.

Como se sentiu ao receber o diagnóstico? Senti desespero e medo. Nunca tinha ouvido falar desse transtorno. Tudo que você lê na internet sobre o problema – apesar de que a psicóloga leu para mim compêndio de psicologia e pediu para eu não ler nada na internet – é desesperador. Passa muita coisa pela cabeça. Num primeiro momento, você acha que não dará conta e, se não tiver apoio familiar e de profissionais, não dará mesmo.

Por quais tipos de tratamento ele já passou? Ele ainda está em tratamento. Faz terapia regularmente e consultas ao psiquiatra por causa da medicação. Ele toma dois tipos de remédios. Fora isso, o médico pediu para fazer aula de música para que ele sinta-se valorizado, pois tem autoestima baixa.

Qual foi o momento mais difícil? Eles ainda existem, mas o mais difícil foi o início. A pressão das escolas para tirá-lo (ele passou por duas escolas), pois não sabiam e ainda não sabem (a maioria) lidar com crianças com TDO; as crises de agressividade; a medicação, pois eu não queria que ele tomasse remédios. Demorou até eu entender que era melhor para ele, para ter qualidade de vida.

Como seu filho se comporta após as crises? Ele sofre, sente arrependimento e chora muito quando tudo passa. Eu chegava na escola e tinha cinco mulheres segurando meu filho no chão. Era desesperador. Devagar estou aprendendo a lidar com ele na hora das crises. A forma de abordá-lo, o que dizer e tentar não passar para ele quando estou com algum problema, pois isso reflete diretamente nele.

Como ele está hoje?  Melhorou muito. Não procura objetos quando fica nervoso e se controla mais rápido. Com quase 9 anos, entende que precisa melhorar e depende dele. Faz quase dois meses que não tem uma recaída, e isso me deixa feliz. Estamos trabalhando a autoestima, que é baixíssima, e a necessidade de assumir os próprios erros, pois ele sempre culpa alguém quando age incorretamente. (LM)

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