Pequenos descontrolados e rebeldes podem estar doentes

TDO tem cura com terapia, apoio da família, escola e, às vezes, medicamento

iG Minas Gerais | Aline Reskalla e Litza Mattos |

Ajuda. Sandra convida as famílias a saber mais no blog ‘transtornodesafiadoropositivo.blogspot.com.br’
Divulgação
Ajuda. Sandra convida as famílias a saber mais no blog ‘transtornodesafiadoropositivo.blogspot.com.br’

Há três anos, quando Vitor Caetano Pereira da Silva, 8, foi diagnosticado com o Transtorno Desafiador Opositivo (TDO), a mãe dele, a publicitária Sandra Regina Pereira, se desesperou. Com medo de um nome que nunca tinha ouvido falar, ela pensou logo que não daria conta do problema.

Os sintomas são realmente desafiadores: Vitor ficava nervoso, agressivo, sem controle. Chegava a procurar objetos cortantes para agredir a mãe. Após as crises, o menino ficava péssimo, se arrependia, chorava. Hoje, o drama da família diminuiu muito, graças ao diagnóstico preciso e ao tratamento iniciado há três anos.

O TDO é pouco conhecido da população, mas afeta 10% das crianças em idade escolar. O médico psiquiatra da infância e adolescência Gustavo Teixeira explica que os sintomas aparecem entre os 5 e 7 anos de idade. Os pequenos desafiam autoridades de pais, familiares, professores e adultos de uma forma geral. São impulsivos, opositivos, desafiadores, não aceitam críticas, regras e desafiam deliberadamente a autoridade de figuras de autoridade.

As causas, segundo Teixeira, são uma associação de vulnerabilidade genética e fatores ambientais. “Esses seriam fatores que influenciariam e causariam o ‘gatilho’ para o aparecimento do problema”, esclarece o especialista.

Os principais fatores ambientais estão relacionados a dois padrões parentais opostos: pais agressivos, negligentes, autoritários e violentos, ou pais passivos, fracos, sem autoridade, facilmente manipulados.

“Crianças inseridas em ambientes socialmente e economicamente desfavorecidos também facilitam o surgimento do problema. Aquelas que convivem em comunidades violentas e sem acesso à educação também”, explica Teixeira.

Segundo ele, os pais não precisam se desesperar, pois, com tratamento adequado e apoio da família, o problema pode ser vencido. O tratamento envolve um programa de orientação de pais, da escola, e a terapia cognitiva-comportamental também é indicada. “Em casos graves, a medicação pode ser utilizada, objetivando a diminuição dos sintomas opositivos e desafiadores da criança. Com a participação da família e escola, os sintomas podem ser eliminados”, garante o psiquiatra.

Gustavo Teixeira é autor do livro “O Reizinho da Casa”, da editora Best Seller. O livro é considerado o primeiro guia brasileiro sobre esse problema comportamental tão comum nos lares brasileiros.

Segundo o autor, o livro oferece uma oportunidade de pais e professores conhecerem o problema e resolvê-lo através da utilização de técnicas comportamentais eficientes de manejo de sintomas e correção de falhas na criação dos filhos.

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